À sombra dos penhascos de Moqattam que se elevam sobre as margens orientais do Cairo, no Egito, Safwat Nazeem abre seu caminho para casa entre as dezenas de milhares de garrafas plásticas vazias.

Assim como seu pai, Safwat é um dos Zabaleen – o exército invisível do Egito composto por coletores rejeitados que ajuntam lixo urbano e os leva de bom grado para casa. Conhecida como a Cidade do Lixo, suas imediações transbordam de resíduos esperando pela coleta seletiva e reciclagem. Após o recente aumento da violência nacional e briga na mídia, os Zabaleen têm se tornado uma comunidade na defensiva.

Como a maioria dos moradores da Cidade do Lixo, Safwat é um cristão Copta – parte de uma forte minoria religiosa de oito milhões no Egito que antecede a presença do Islamismo no país por cerca de 500 anos.

Nos últimos meses, a frágil estabilidade sectária do país tem sido abalada por violentos conflitos, acusações de discriminação dos dois lados e rumores de “interesses especiais” do exterior espalhando rupturas.

Silêncio
Em maio passado, quatro cristãos foram mortos a tiros numa joalheria em Cairene. O governo encerrou o caso como um assalto e se recusou a explicar por que nenhuma providência foi tomada. O Papa Shenouda, o patriarca da Igreja Copta, optou por ficar quieto e se manter calado até mesmo quando outro ataque semelhante ocorreu com um joalheiro copta em Alexandria poucos dias depois.

Mas ele foi forçado a falar sobre o assunto em 31 de maio, quando um remoto povoado copta, o monastério de Abo Fana de 1700 anos, foi sitiado por dúzias de muçulmanos que começaram uma disputa de terra com fazendeiros locais. Embora a controvérsia de Abo Fana tenha ocorrido a 300 milhas ao sul da capital egípcia, seu impacto foi sentido por todo o país.

Os coptas têm reclamado constantemente das regulamentações arcaicas para as construções que dificultam o reparo e a expansão de suas igrejas, sufocando a fé com a burocracia. Eles também reclamam que o acesso a posições importantes no governo é negado em razão de sua religião.

Comentaristas muçulmanos alegam que a maioria dos coptas são inferiores aos seus compatriotas muçulmanos, e que a fé cristã está sendo manipulada por forças externas que usam o disfarce de “direitos minoritários” para interferir nos negócios internos do Egito. Críticos de ambos os lados concordam que o potencial para a violência sectária está crescendo.

Safwat compartilha o medo de muitos cristãos de que a mudança na política da paisagem no Egito ameace seu modo de vida.

Olhando de relance para uma pequena imagem da Virgem Maria, ele suspira: “O Islamismo é a solução… este é o slogan deles. E não há lugar algum para os cristãos e para mais ninguém”.

Fonte: Portas Abertas