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“Tudo começou em um coreto no subúrbio do Rio de Janeiro. Com teclado, microfone e uma Bíblia, o então pastor Edir Macedo Bezerra ia todos os sábados ao bairro do Méier. Subia os sete degraus do coreto e pregava para poucos. Eram os primeiros passos da Igreja Universal.”

É assim que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) explica, no seu site, como foi fundada no Brasil, nos anos 70. Com promessas de “cura” e “prosperidade”, a instituição religiosa multiplicou o número de fiéis não só no Brasil, mas também por todo o mundo.

Numa África em crise, igrejas neopentecostais como a IURD encontraram um terreno fértil, explica Teresa Cruz e Silva, pesquisadora social moçambicana da Universidade Eduardo Mondlane, em entrevista à DW.

[b]IURD em Moçambique
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“Em Moçambique, por exemplo, a IURD entra num contexto de crise [após a guerra civil] e a utilização desse contexto faz com que haja uma grande adesão das pessoas. Por exemplo, ao acreditarem que o país pode resolver os problemas, a pobreza”, explica Cruz e Silva.

Em 1992, o ano da fundação da igreja no país, a instituição contava com um único pastor que vinha do Brasil e um co-fundador no local, segundo o portal da IURD em Moçambique: “A igreja não contava com uma estrutura consolidada e havia poucos colaboradores”.

Hoje a situação é diferente – além de desenvolver ações sociais e produzir programas de televisão e rádio em Moçambique, a IURD fala em templos cheios de fiéis na rede social Twitter.

[img align=right width=300]http://www.dw.com/image/36931262_404.jpg[/img]A antropóloga brasileira Jaqueline Moraes Teixeira (foto ao lado) tem estudado a atuação da IURD, que se estima ter, só no Brasil, 1,87 milhões de fiéis. Segundo ela, há nesta instituição uma visão teológica da “nação universal”, daí o seu nome. Por isso, a importância de se expandir do Brasil para outros países, explica.

[b]Missão[/b]

A missão evangelizadora é um dos elementos da fé cristã católica e das igrejas chamadas neopentecostais, como a IURD. De modo semelhante aos missionários católicos do passado colonial, as igrejas neopentecostais almejam levar a “mensagem do evangelho” aos mais necessitados, algo tido como uma “missão”. E isso explica por que a IURD atua em outros países, acrescenta a antropóloga brasileira.

A IURD cresceu tanto nas últimas décadas na África a ponto de desenvolver projetos na área de saúde pública. Por vezes, substituindo tarefas atribuídas normalmente ao Estado, “a exemplo, os projetos específicos de combate a AIDS na África, já que muitos frequentadores neste continente se declaram seropositivos”, explica Moraes Teixeira.

[b]A igreja da “cura”
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A Igreja Universal é também considerada a “igreja da cura”, diz a professora moçambicana Teresa Cruz e Silva. “Se lermos os jornais da Igreja Universal, eles relatam que curam doenças incuráveis pela medicina, e as pessoas aderem pelas promessas que são feitas”, explica.

Mas, para alcançarem a “cura material” e “espiritual”, muitos dão tudo o que têm em forma de dízimos, fazendo-o “na esperança de receberem sempre mais”.

É aí que surge a ideia de um “mercado da fé”, pois “negocia-se com a fé das pessoas” em situação de crise – algo que, segundo os especialistas, explica a grande ascensão da Igreja Universal do Reino de Deus nos últimos anos em países africanos.

Nota: Após a publicação desta matéria, a Igreja Universal do Reino de Deus esclareceu, numa nota à DW, que “o dízimo representa apenas a décima parte daquilo que o indivíduo recebe no mês – e não corresponde a outra coisa”. Além disso, segundo esta igreja, quem “devolve” o dízimo “não o faz com o objetivo de receber mais”, mas por “obediência à palavra de Deus. Não se trata de uma doutrina da Igreja Universal, mas sim um ensinamento bíblico. Além disso, não devolve o dízimo somente quem está em crise ou porque está em crise, mas todos aqueles que optam por obedecer às Sagradas Escrituras”, escreveram.

[b]Fonte: DW – Portugal[/b]