A missa em latim, com todos seus rituais e liturgias, poderá ser celebrada oficialmente a partir da próxima sexta-feira. A medida é considerada um importante passo do Papa Bento XVI, na tentativa de reconciliação com os católicos ultraconservadores.

Tudo parece indicar que o decreto (“motu proprio”) foi feito para satisfazer uma antiga reivindicação das correntes tradicionalistas da Igreja Católica e que será realizado com muita discrição.

A decisão do Papa favorece o movimento ultraconservador “lefevrista”, que conta com cerca de 600.000 fiéis e 500 sacerdotes em 26 países, em particular no Brasil, na França, nos Estados Unidos e na Alemanha.

A antiga missa em latim, a “de São Pio V” em sua versão mais recente (em 1962, sob o papado de João XXIII), poderá ser celebrada pelos sacerdotes e os fiéis que a solicitarem, segundo o decreto divulgado pelo Vaticano no dia 7 de julho e assinado pelo pontífice.

Os sacerdotes das paróquias deverão acolher “de bom grado” os pedidos dos fiéis, que até agora foram poucos.

Bento XVI disse aos bispos, no dia 14 de setembro, para que se organizem para que possam atender os pedidos dos fiéis.

Nenhuma manifestação ou celebração oficial foi organizada no Vaticano para festejar a volta da celebração em latim, que foi abolida no Concílio Vaticano II, a assembléia que modernizou a Igreja nos anos 60.

Os bispos têm um prazo de três anos para comunicar suas sugestões sobre o tema ao Vaticano.

O cardeal que mais apoiou a volta da liturgia em latim, o colombiano Darío Castrillón Hoyos, celebrará uma missa deste tipo na sexta-feira, mas longe do Vaticano, no santuário de Loreto (centro da Itália), segundo fontes religiosas.

Outro cardeal, o italiano Carlo Maria Martini, de 80 anos, considerado entre os prelados o mais progressista do colégio dos cardeais, afirmou que nunca realizará missa em latim e elogiou as liturgias modernas, no idioma do país em que são celebradas, por serem mais compreensíveis.

O Papa justificou a decisão como um gesto de “reconciliação”, dirigido aos fiéis que são “muito apegados” a esse tipo de missa.

Entretanto, grupos judeus protestaram diante da autorização, já que uma das orações desse tipo de missa pede a conversão dos judeus.

Para o bispo italiano Rino Fisichella, tal oração “não ofende nossos irmãos judeus”.

O bispo Fisichella defendeu a volta do latim nas missas e negou que se trate de um retrocesso para a Igreja, como vêm afirmando alguns críticos.

Fonte: AFP