Peter Saunders chamou cardeal Pell de sociopata. Inglês é um dos nomeados pelo Papa para investigar abusos na Igreja Católica.

O diretor-executivo de uma das entidades britânicas que lutam contra a pedofilia, Peter Saunders, criou uma crise no Vaticano após aparecer em um programa de televisão e acusar o ex-bispo de Melbourne e Sidney de “sociopata”.

O problema para o Vaticano não é só o fato de Saunders acusar Pell, mas também porque o inglês foi nomeado pelo papa Francisco, em dezembro do ano passado, para ser um dos 17 membros da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, que investiga casos de pedofilia e abusos sexuais na Igreja.

Durante o programa “60 minutos”, do “Canal 9”, Saunders afirmou que o atual prefeito dos Assuntos Econômicos da Santa Sé, cardeal George Pell, é um “sujeito perigoso e quase um sociopata”, que acobertou padres que cometeram abusos sexuais.

Para o inglês, o ex-bispo tem “responsabilidade moral” para enfrentar a Comissão Nacional que investiga sobre os abusos da instituição contra os menores.

“Pessoalmente, acho que sua posição é insustentável porque há um catálogo de negações. Ele repetidamente denegriu as pessoas e agiu com insensibilidade, dureza de coração, de uma maneira quase sociopata”, declarou.

Um porta-voz do cardeal se manifestou e disse que o ex-bispo sempre lutou contra os crimes e que vai processar o britânico por suas declarações. “Desde seus primeiros atos como arcebispo, o cardeal Pell assumiu uma forte posição contra os abusos sexuais de menores e instituiu procedimentos para permitir que as denúncias sejam levadas adiante e sejam investigadas de maneira independente”, informa a nota.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, também emitiu um comunicado, dizendo quer as declarações de Saunders tem “caráter pessoal” e “não foram ditas em nome da Comissão, que não tem a missão de pronunciar juízos sobre casos específicos”. Para Lombardi, “George Pell sempre respondeu rapidamente às autoridades australianas competentes” e suas declarações públicas dos últimos dias são “confiáveis e merecem respeito e atenção”.

[b]Fonte: O Dia[/b]