O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, decretou a prisão preventiva da esteticista Elsa Soares da Silva que, juntamente com o pai-de-santo Willian Domingos da Silva, foi pronunciada em setembro pela morte de Michael Mendes, de 4 anos, ocorrida durante ritual de magia negra.

A prisão de Elsa foi decretada porque ela encontra-se nos Estados Unidos e precisa ser intimada da pronúncia (decisão que manda o réu a júri popular) pessoalmente, como determina o Código de Processo Penal.

De acordo com o juiz, logo após a denúncia, Elsa teve a prisão preventiva decretada pelo fato de estar fora do país. Após apresentar-se em juízo, teve a prisão revogada. Na ocasião, se comprometeu a comparecer a todos os atos processuais, bem como a fornecer todas as informações necessárias para que fosse encontrada a fim de receber as intimações relativas ao andamento da instrução criminal. Entretanto, retornou aos EUA sem comunicar o novo endereço.

Tal situação, segundo o magistrado, impediu sua intimação da pronúncia, o que tornou inviável o andamento do processo. Ele ressaltou que Elsa saiu do País sem pedir autorização e descumprindo, desta forma, o compromisso de acompanhar o andamento da instrução pessoalmente.

Elsa e Willian são acusados de ter matado Michael na noite de 8 de abril de 1989, dentro de um terreiro de candomblé. Ambos serão julgados por homicídio triplamente qualificado: crime cometido por motivo torpe, com uso de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Os outros dois acusados de participação no crime, o mestre de candomblé Alexandre dos Santos Silva Neto e a faxineira Eva dos Santos Marinho, já morreram. De acordo com denúncia do MP (Ministério Público), Michael Mendes era vizinho de Elsa e freqüentava seu salão. Decepcionada com sua vida amorosa, uma vez que seu companheiro a deixou por um homem, Elsa recorreu ao pai-de-santo em busca de um ritual de magia negra que pudesse desfazer o novo relacionamento dele.

Para tanto, ela usou o garoto que foi sacrificado no ritual coordenado por Willian. Raptado, o menino foi amordaçado e passou por um ritual de sacrifício que envolveu espancamento, retirada de três dentes, amputação de todos os dedos das mãos para, ao final, ser decapitado.

Apesar da tentativa de ocultação do cadáver, o corpo do menino foi encontrado 20 dias depois do fato.

Fonte: Última Instância