Um pai-de-santo e uma esteticista acusados de matar um garoto de apenas quatro anos em um ritual de magia negra irão a júri popular por decisão da 1ª Vara Criminal de Goiânia, em Goiás.

Segundo informações do TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás), William Domingos da Silva e Elsa Soares da Silva são acusados pela morte de Michael Mendes, de 4 anos, na noite de 8 de abril de 1989, dentro do terreiro de candomblé Axê Ilê Oxalufâ, situado no Setor Rio Formoso.

Ambos serão julgados por homicídio com três qualificadoras (circunstâncias que podem aumentar a pena): crime cometido por motivo torpe, com uso de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Embora as defesas de William e Elsa tenham pedido suas absolvições sob alegação de serem inocentes, as provas constantes dos autos, sobretudo as testemunhais, foram suficientes para indicar a participação dos dois no crime.

Os outros dois acusados de participação no crime – o mestre de candomblé Alexandre dos Santos Silva Neto e a faxineira Eva dos Santos Marinho – já morreram.

Decepção amorosa

De acordo com denúncia do MP, Michael Mendes morava com uma tia, que era vizinha de Elsa e freqüentava seu salão, eventualmente acompanhada do garoto. Decepcionada com sua vida amorosa, uma vez que seu companheiro a deixou por um homem, Elsa recorreu ao pai-de-santo em busca de um ritual de magia negra que pudesse desfazer o novo relacionamento dele.

Para tanto, ela usou o garoto que foi sacrificado num ritual de magia negra coordenado por Willian com o objetivo de resolver os problemas amorosos dela. Raptado, o menino foi amordaçado e passou por um ritual de sacrifício que envolveu, entre outras crueldades, espancamento, retirada de três dentes, amputação de todos os dedos das mãos para, ao final, ser decapitado.

Apesar da tentativa de ocultação do cadáver, o corpo do menino foi encontrado 20 dias depois do fato, semi-enterrado, com a barriga para baixo e a cabeça virada para cima.

Ao lado do corpo havia sete copos descartáveis brancos, um pente de cabo vermelho, plástico de buquê de flores, fitas vermelhas, velas amarelas e vermelhas, cigarrilhas, talco, pingas, cerveja, vinho jurubeba, champanhe, uma caixa de papelão e um vidro de esmalte que tinha escrito, em seu rótulo, a palavra “pomba-gira”, que segundo a promotoria significa uma entidade espiritual que exige sangue humano.

Fonte: Última Instância