Os membros de uma seita apocalíptica russa que esperavam pelo fim do mundo escondidos em uma caverna abandonaram nesta sexta-feira o confinamento, na região de Penza, cerca de 600 quilômetros ao sudeste de Moscou.

Ao menos nove pessoas estavam no local desde novembro, quando outros 24 membros decidiram deixar a caverna, anunciou a agência russa Interfax. Duas pessoas morreram durante o cárcere voluntário.

“Todos saíram à superfície esta manhã”, disse Vladimir Provorotov, um policial local.

Provorotov disse que os membros da seita, autodenominada Verdadeiros Crentes Ortodoxos, concordaram em pôr fim a seu confinamento depois que equipes de resgate explicaram do risco de envenenamento pela presença dos dois corpos na caverna.

Pouco antes, o vice-governador de Penza, Oleg Melnichenko, tinha anunciado que os socorristas exumaram na madrugada desta sexta os restos das duas mulheres, que foram transferidos a um necrotério de um hospital local.

Apocalipse

Em novembro do ano passado, 35 membros da seita se confinaram na caverna para esperar a chegada do fim do mundo.

No começo de abril, 24 sectários –entre eles quatro crianças–, saíram para a superfície após alguns desmoronamentos de terra.

No dia 26 de março, os adeptos da seita anunciaram sua intenção de abandonar a caverna no dia 27 de abril, quando é celebrada a Páscoa Ortodoxa na Rússia.

No período debaixo da terra os adeptos guardaram mantimentos, água e vários bujões de gás e galões de gasolina, com quantidade suficiente para resistir por vários meses à espera do Juízo Final.

Fundador

O líder da seita é um engenheiro de 43 anos que teve esquizofrenia diagnosticada após afirmar que era um profeta, e que recentemente anunciou a iminente chegada do anticristo.

Um grupo de psiquiatras da Promotoria russa disse que o líder da seita, Piotr Kuznetsov, preso pela Polícia em novembro, sofre de “demência”.

Kuznetsov, que recentemente tentou se suicidar, poderia ser condenado a três anos de prisão tanto por criar uma organização religiosa por meios violentos, como por incitar o ódio religioso e manter a posse de literatura extremista.

Os membros da seita são, na maior parte, mulheres procedentes da Bielo-Rússia e da Ucrânia. As autoridades definem o grupo como “uma seita ortodoxa radical e apocalíptica”.

Fonte: Folha Online