Asya Armad Muhammad (foto), uma adolescente cristã, foi sentenciada a cinco anos na detenção juvenil por esfaquear e matar seu tio muçulmano enquanto ele a agredia porque ela havia se convertido ao cristianismo, contou o advogado da jovem.

O juiz Satar Sofe condenou Asya Armad Muhammad, de 14 anos, por assassinato, na primeira audiência do julgamento, ocorrida em 7 de fevereiro, na corte juvenil de Dohuk.

O advogado de Asya apelou da decisão em 17 de fevereiro, questionando a conclusão do juiz de que o assassinato foi intencional. “A corte deveria considerar o caso de Maria (nome cristão de Asya) como involuntário, porque ela não tinha intenção de matar seu tio”, disse ao Compass Akram Mikhael Al-Najar.

O advogado afirmou que a sentença foi leve, considerando que o código penal iraquiano prevê a pena de morte para quem comete assassinato. “Uma vez que o tio provocou, chutou e cometeu abusos contra a sobrinha, a corte levou esses fatos em consideração e diminuiu a punição”, contou Akram Al-Najar. O advogado espera que a corte de cassação regional curda, a mais alta instância do norte do Iraque, julgue o apelo dentro de três meses.

Mesmo que o apelo seja rejeitado, Akram informou que Asya pode ser libertada depois de cumprir três quartos da pena.

Asya esfaqueou o tio paterno com uma faca de cozinha, em julho passado, quando ele foi até a loja de utensílios domésticos da família, no subúrbio de Dohuk, e começou a agredir a jovem, sua mãe e o irmão mais novo (leia mais).

A família muçulmana de Sayeed Muhammad alegou que ele atacou os parentes para restaurar a “honra”, supostamente perdida pelo fato de que mulheres da família estavam trabalhando fora. Entretanto, o pai e o advogado de Asya afirmaram que o motivo real para o ataque foi religioso.

O pai de Asya, Ahmad Muhammad, disse que seu irmão havia tentado matá-lo cinco vezes, enfurecido por sua conversão ao cristianismo.

Avós contra neta

Com a morte de Sayeed, os avós de Asya exigiam a morte de seu pai. Mediadores externos convenceram os avós de que o pai de Asya não tinha responsabilidade pela morte do irmão, convencendo o casal de idosos a exigir a morte da neta e uma alta quantia em dinheiro como indenização.

Ao tomar conhecimento dessas ameaças, os pais e irmãos de Asya foram para um esconderijo. A mãe e os três irmãos mais jovens voltaram para casa, mas o pai dela continua a morar em local desconhecido.

O advogado Akram Al-Najar disse que a família não está mais com medo de ser atacada. “Mas se Maria fosse libertada da prisão, ela estaria em perigo, e teria que viver longe desses terroristas [seus avós]”, considerou ele.

O avô de Asya, que é um clérigo muçulmano em Mosul, compareceu à audiência do dia 7 com sua esposa para testemunhar contra a neta. Ele estava presente, no ano passado, quando a neta conseguiu pegar uma faca da loja e atingiu com ela o peito do tio, que cortava o cabelo dela a força.

O advogado de Asya disse que se o apelo for rejeitado, ela irá cumprir a sentença na prisão juvenil de Dohuk. Akram Al-Najar descreveu a situação da jovem na cadeia como “boa”, dizendo que ele tem a oportunidade de estudar e de fazer cursos de informática.

Um cristão de Dohuk disse, porém, que a situação de Asya está longe da ideal. Como única menor do sexo feminino na prisão, a fonte afirmou que não é certo que os funcionários permitam que ela freqüente as aulas na escola totalmente masculina.

Fonte: Portas Abertas