O ex-Grande Rabino de Israel Ovadia Yosef aprovou o “arrendamento” a um não-judeu de 200 mil hectares de terras de agricultores judeus para permitir que sejam cultivadas durante o ano de descanso estabelecido pelas “Sagradas Escrituras”, anunciaram hoje pessoas próximas a ele à imprensa local.

Segundo o mandato bíblico, os camponeses devem deixar suas terras descansarem a cada sete anos, mas elas podem continuar sendo cultivadas mediante um recurso técnico se forem “arrendadas” a um não-judeu – que não está submetido às Escrituras – durante o período.

O ano sabático tem esse nome por causa do “shabat” (sábado), o sétimo dia da semana – quando o “Criador” teria descansado, segundo o relato bíblico – e começará na próxima semana após os festejos do ano novo judaico de 5768, que começam na noite de hoje.

O arrendatário das terras foi um morador muçulmano do povoado palestino de Abu Gosh, a oeste de Jerusalém.

Ao contrário de Yosef, venerado líder espiritual das comunidades judaicas oriundas da Espanha e do mundo árabe, o rabino ultra-ortodoxo Yosef Shlomo Eliashiv, lider dos judeus asquenazes (do Leste Europeu e do mundo germânico), proíbe a venda simbólica.

Os ortodoxos consideram que essa prática é uma forma de burlar o cumprimento da ordem divina. Por isso, os rabinos da comunidade asquenaze impõem obstáculos para conceder certificados de “kósher” aos produtos oferecidos pelos agricultores judeus que aceitam a “falsa venda” de suas terras.

O certificado de aptidão ou “kashrut” concedido pelos rabinos é imprescindível para vender os produtos agrícolas, entre outros alimentos, em mercados, supermercados e mercearias para consumidores da comunidade ortodoxa, caracterizada por um elevado número de famílias com vários filhos.

O rabino Eliashiv e seus adeptos estão pressionando o Rabinato Central, liderado pelos Grandes Rabinos Shlomo Amar e Iona Mezguer, para que proíbam este recurso do arrendamento das terras.

Se tiverem sucesso, afirma hoje o jornal “Ha”aretz”, as conseqüências da medida serão uma notável escassez de produtos da agricultura e grandes perdas para os camponeses. Mas, por outro lado, aumentarão as importações dos produtos da comunidade árabe e das vendas dos agricultores palestinos.

Para resolver a polêmica, a Corte Suprema de Justiça instou na semana passada ao Rabinato Central para que este encontre uma solução que permita aos agricultores que continuem cultivando suas terras “alienadas” e conservar os certificados de “kashrut” para poder comercializar seus produtos.

Fonte: EFE