O Governo chinês segue julgando casos de pena de morte a portas fechadas, apesar do anúncio do Tribunal Popular Supremo de que deveriam ser realizadas sessões públicas, denunciou na semana passada a Anistia Internacional (AI) em seu relatório anual.

A AI calculou em pelo menos 470 o número de execuções e em 1.860 o de penas a morte ditadas na China em 2007, a partir de relatórios oficiais. O órgão suspeita que os dados possam ser muito maiores.

Defensores dos direitos humanos foram submetidos a tortura, prisão domiciliar e detenções ilegais, práticas que se estenderam também a seus familiares, incluindo menores de idade.

Ainda de acordo com a AI, o número de violações dos direitos humanos aumentou por ocasião dos preparativos para os Jogos Olímpicos deste ano, que serão realizados em Pequim.

Além disso, as autoridades chinesas limitaram fortemente a liberdade de expressão, como prova a prisão de 30 jornalistas por informarem sobre “questões delicadas” e de outras 50 pessoas por publicarem suas opiniões na internet.

O Governo bloqueou de forma reiterada várias páginas da internet e filtrou inúmeros conteúdos da rede mundial de computadores. Vale ressaltar que a China tem o maior número de internautas do mundo, após superar este ano os Estados Unidos.

Na Região Autônoma do Tibete, por outro lado, as autoridades mantiveram as restrições à liberdade de credo, associação e expressão, e puniram com firmeza manifestações de apoio ao dalai lama, líder espiritual dos tibetanos.

A AI destacou ainda outras minorias étnicas que sofreram violações de direitos humanos, especialmente a uigur, vítima de uma “brutal repressão”. Pequim alega que tal etnia desenvolve “atividades separatistas”.

O relatório anual da AI também denunciou repatriações forçadas de “centenas de norte-coreanos”, e criticou perseguições a minorias religiosas, como aos seguidores do movimento Falun Gong – dos quais mais de 100 morreram em 2007 “devido a torturas” – e a “grupos cristãos clandestinos”, incluindo a Igreja Católica extra-oficial.

Segundo a AI, a situação das mulheres também não melhorou no país, já que foram generalizadas práticas discriminatórias no trabalho e no acesso à educação e ao sistema de saúde.

Os casos de violência doméstica são uma das principais causas de suicídio entre a população feminina chinesa que trabalha no campo.

Fonte: EFE