Jesus diz apenas o Pai, mas “Mãe nossa e pai nosso que estão no céu” e agora Ele “regressa” e não “ressuscita”, segundo a nova versão “politicamente correta” da Bíblia que acaba de ser lançada na Alemanha e que concede à mulher um papel de mais destaque no texto sagrado.

A “Bíblia em uma linguagem mais justa” (Bibel in gerechter Sprache, original em alemão), a mais recente e polêmica versão do texto sagrado publicado na Alemanha, busca valorizar a mulher, a cultura judia e melhorar as relações com as forças sociais.

Nesta versão elaborada a partir do hebreu e do grego por 52 especialistas da Bíblia (apenas dez deles homens), em sua maioria protestantes, Jesus se dirige a seus “irmãos e irmãos” e interpela os “fariseus e fariséias”.

Ele já não é mais “o filho”, mas o “menino de Deus”. O nome de “Senhor”, termo muito viril, é substituído por “Eterno” e, inclusive, “Eterna”.

No entanto, esta tradução menciona “o diabo”, mas não faz referência a uma “diaba”, conforme assinalou, em tom de ironia, o teólogo Jens Schroeter à revista Der Spiegel.

“Uma das grandes idéias da Bíblia é a justiça. Nossa tradução faz justiça às mulheres, aos judeus, aos desfavorecidos”, afirmou Hanne Koehler, pastora e coordenadora do projeto que consumiu cinco anos de trabalho. O custo da nova versão, que chegou a 400.000 euros, foi financiado com doações.

“Não se trata de afirmar que esta versão é melhor que a de Lutero”, explicou Koehler, referindo-se aos protestantes alemães.

Os opositores do projeto a reprovam por ter privilegiado a “correção política” ao invés da verdade histórica, e de tornar o texto inutilmente mais pesado.

Os primeiros 20.000 exemplares desta obra de 2.400 páginas, apresentada em outubro na Feira do Livro de Frankfurt, se esgotaram em duas semanas. Uma nova tiragem está na gráfica, indicou a editora Guetersloh.

O debate em torno do lançamento desta Bíblia feminista não é nada em comparação com a polêmica causada pela “Volxsbibel” (a Bíblia do Povo), do excêntrico “pastor independente” Martin Dreyer, publicada em dezembro de 2005.

“Os jovem fazem muitas perguntas sobre Deus, e devem encontrar respostas na Bíblia. Mas para eles a Bíblia não passa de um livro velho e empoeirado, jogado na casa da avó”, explicou o ex-estudante de teologia e educador, que trabalha num centro juvenil em Colônia (oeste).

“Eu me perguntei que imagens Jesus utilizaria hoje em dia”, acrescentou.

O resultado? Jesus “regressa” ao invés de ressuscitar e multiplica os hambúrgueres no lugar dos pães. Na parábola do “filho pródigo”, o herói da história dissipa sua herança em discotecas e depois acaba limpando banheiros do McDonald’s.

“Recebi centenas de e-mails de protestos. Uma verdadeira avalanche. Fui chamado de colaborador de Satanás… Mas também recebi cartas de incentivo”,m relatou Dreyer, de 41 anos, fundador do movimento cristão alternativo “Jesus’ freaks” (Os loucos por Jesus).

O livro, com uma tiragem de 5.000 exemplares, também se esgotou em poucos dias e sua segunda edição está atualmente em preparação.

Também foi criado um foro na internet para permitir com quem deseja contribuir para o projeto. Nesse site, se encontram baixar mensagens litúrgicas que podem ser baixadas para os celulares. A “Volxbibel” é a tradução do Novo Testamento apenas, mas Dreyer se prepara agora para realizar a mesma tarefa com o Antigo Testamento.

“Encontrei um grupo de hip hop e vamos transcrever os Salmos para que sejam interpretados em estilo rap”, concluiu.

Fonte: AFP