Um secretário do gabinete de governo da Grã-Bretanha desencadeou uma polêmica no país ao advertir que pessoas que origem paquistanesa que se casam com seus primos estão causando um aumento no número de crianças com defeitos de nascença.

O secretário de Meio Ambiente, Phil Woolas, disse que diferenças culturais entre as pessoas de origem paquistanesa que moram na Grã-Bretanha e o restante da população tornam a questão mais difícil de se lidar.

“A questão que temos que debater é o casamento de primos de primeiro grau, que tem a ver com muitos casamentos arranjados (…) e produz muitos problemas genéticos em termos de deficiência (em crianças)”, disse o secretário ao jornal Sunday Times.

Woolas enfatizou que os casamentos, que são legais na Grã-Bretanha, são uma questão cultural, não religiosa, e são um fenômeno associado principalmente a famílias originárias do interior do Paquistão.

O ex-secretário de relações raciais também afirmou que funcionários do setor da saúde estavam cientes de que tais casamentos estavam aumentando o risco de problemas genéticos na Grã-Bretanha.

“Islamofobia”

As afirmações de Woolas não agradaram o Comitê de Relações Públicas Muçulmano da Grã-Bretanha (MPAC), que pediu que o primeiro-ministro Gordon Brown demita Woolas.

O porta-voz da MPAC, Asghar Bukhari, disse que as afirmações “estiveram à beira da ‘islamofobia'”.

Ele também disse que “bizarro” que o secretário tenha feito comentários sobre um assunto tão distante da questão do meio ambiente, que é de sua alçada no governo, e o acusou de ignorar a ligação que existe entre a poluição e nascimento de crianças com defeitos.

Além de secretário, Woolas também é um parlamentar e representa uma região nas proximidades de Birmingham (centro da Inglaterra) em que há muitas pessoas que vieram do Paquistão ou são descendentes de paquistaneses.

Uma pesquisa feita na Grã-Bretanha indica que, embora os britânicos de origem paquistanesa constituam apenas 3% da população do país, seus filhos respondem por 33% do total de nascidos com anomalias genéticas.

A polêmica iniciada por Woolas ocorre em um momento de tensão na Grã-Bretanha, depois que o arcebispo da Cantuária, líder da Igreja Anglicana, disse que aspectos da Sharia (a lei islâmica) deveriam ser adotados na Grã-Bretanha.

Fonte: O Globo