Os erros cometidos na aplicação da pena de morte fizeram com que os americanos perdessem a confiança nas execuções, segundo uma pesquisa divulgada esta semana.

Ao mesmo tempo, aumentou o número dos que se negam a participar de júris que podem aplicar a pena capital, de acordo com a pesquisa do Centro de Informação da Pena de Morte (CIPM).

Segundo a consulta, 58% das pessoas acreditam que é necessário aplicar uma suspensão de execuções em todo o país até que se revise sua aplicação.

A pena de morte foi restabelecida pela Corte Suprema em 1976.

Desde então, foram executados 1.079 presos na forca, cadeira elétrica, câmara de gás ou injeção letal, segundo números do CIPM.

Embora questionado por ser considerado pelos críticos da pena de morte como cruel e inconstitucional, o uso da injeção letal é o método aplicado em 38 dos 50 estados, onde a punição ainda é utilizada.

Os críticos, incluindo entidades nacionais e internacionais defensoras de direitos humanos, afirmam que a pena de morte nos EUA é aplicada com critérios racistas e regionais.

Como prova, denunciam que o número de negros executados é muito maior que a proporção demográfica no país e que a pena é aplicada principalmente nos estados do sul.

Além disso, muitos condenados, que não têm dinheiro para contar com uma boa defesa legal, foram vítimas de advogados incompetentes designados pelas autoridades.

No momento, existem 3.350 condenados nos corredores da morte de todo o país à espera da execução, número que se reduziu nos últimos anos.

A diminuição foi paralela a um menor número anual de execuções que vem caindo desde 1999, quando foram executados 98 presos. No ano passado, o número caiu para 53.

Segundo os resultados da pesquisa, em torno de 40% dos americanos disseram preferir recusar se tiverem que fazer parte de um júri de casos sujeitos a pena de morte.

O diretor-executivo do CIPM, Richard Dieter, explicou à agência Efe que isto ocorre em função da freqüência cada vez maior de erros nos julgamentos, incluindo as provas de inocência obtidas com o uso de DNA.

“Vemos que alguns inocentes foram executados. Além disso, muitos duvidam que a pena de morte seja um fator de dissuasão”, disse Dieter.

A pesquisa, realizada com mil adultos e margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais, mostra que 87% deles acreditam que pelo menos um inocente foi executado nos últimos anos.

Dos consultados, 55% disseram que essa certeza afetou profundamente seus pontos de vista sobre a pena de morte.

No entanto, o diretor-executivo do CIPM, uma organização sem fins lucrativos que diz manter uma situação neutra frente ao castigo, assegura que os americanos continuam favorecendo as execuções.

“Não é que sejam majoritariamente contra o castigo. Na realidade, o que criticam é a forma como ele é administrado”, afirmou.

Dieter informou que se tivessem que escolher, muitos cidadãos comutarim a pena de morte em prisão perpétua sem liberdade condicional.

Segundo as últimas pesquisas, a pena de morte conta com o apoio de cerca de 60% da população, especialmente nos estados do sul do país.

Esse apoio contrasta com o apoio de mais de 80%, obtido em 1976 depois que o Supremo restabeleceu a pena capital em todo o país.

Apesar da diminuição, Dieter não se atreveu a prever um fim da pena a curto prazo.

“No entanto, é possível que vejamos uma declinação de sua aplicação à medida que os estados apliquem moratórias às execuções.

Além disso, é possível que aumentem as propostas para aboli-la”, indicou.

Fonte: EFE