Os anglicanos conservadores iniciaram uma nova cruzada para salvar os fiéis “do laicismo e do pluralismo militantes”, que atribuem à “perda de valores espirituais” nos países ricos. Eles criticam o atual arcebispo de Canterbury, Rowan Williams (foto), de não ter se atrevido a disciplinar americanos e canadenses.

Alguns líderes da Fellowship of Confessing Anglicans (Foca), como foi batizada a nova comunidade criada neste final de semana em uma reunião de 11 mil tradicionalistas em Jerusalém, inclusive com a participação de 300 bispos, estarão amanhã em Londres para discutir o futuro da comunhão anglicana, atualmente ameaçada de cisma.

Segundo a edição de hoje do jornal “The Guardian”, entre os presentes estarão os arcebispos de Sydney (Austrália), Peter Jensen, e de Uganda, Henry Luke Orombi.

Em entrevista coletiva realizada ontem em Jerusalém, Jensen afirmou a intenção dos tradicionalistas de “colocarem ordem em uma situação de caos gerado pelas atividades revisionistas”.

Os tradicionalistas, muitos deles da África, América do Sul e Ásia, criticam o “falso evangelho” pregado pelas paróquias dos países ricos e censuram a consagração do bispo homossexual de New Hampshire, Gene Robinson.

O arcebispo da Nigéria, Peter Akinola, disse em Jerusalém que “boa parte do Reino Unido e da Europa está sendo atacada pelas forças (seculares e pluralistas)”.

Akinola explicou que a declaração final da conferência de Jerusalém reforçará a comunhão anglicana aos olhos dos muçulmanos africanos.

Duzentos dos 300 bispos e arcebispos que participaram da conferência de Jerusalém se propuseram a boicotar a conferência de Lambeth (nome da residência em Londres do arcebispo de Canterbury e primaz anglicano).

Os conservadores criticam o atual arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, de não ter se atrevido a disciplinar americanos e canadenses.

Akinola acusou Williams de ser o principal causador do atual estado de “confusão e quebra” da comunhão anglicana.

Fonte: EFE