Pastores da Igreja Cristã Maranata entraram com 16 ações de danos morais contra jornais com sede em Vitória (ES).

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) denuncia como manobra intimidatória o ingresso simultâneo de 16 ações de danos morais por pastores da Igreja Cristã Maranata contra os jornais A Gazeta e Notícia Agora, ambos da Rede Gazeta, com sede em Vitória (ES).

Os autores das ações, sintomaticamente representados pelo mesmo advogado, apresentaram ações de igual teor e no mesmo dia, em quatro cidades de Minas Gerais, alegando sentirem-se ofendidos pela cobertura feita pelos dois jornais sobre as investigações do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Estas investigações resultaram na prisão de líderes da Igreja devido a evidências de desvios envolvendo o dízimo recolhido de fiéis e outras irregularidades.

A ANJ, como não poderia deixar de ser, reconhece o direito de todo cidadão de recorrer à Justiça em defesa de seus direitos, inclusive os de natureza moral. No caso, entretanto, é evidente que as ações representam uma tentativa de influenciar o Poder Judiciário contra a liberdade de imprensa, ameaçar o livre exercício do jornalismo e privar o cidadão do direito de ser informado.

As semelhanças sugerem que a ação contra os jornais da Rede Gazeta seja uma operação “clonada” da movida pela Igreja Universal do Reino de Deus contra a Folha de S. Paulo, em 2008 (quando foram impetrada mais de cem ações em diferentes pontos do país, sendo que todas resultaram na absolvição do jornal, embora tenham acarretado pesado ônus para sua defesa).

Nessas circunstâncias, a ANJ manifesta a certeza de que o Poder Judiciário novamente rejeitará esse ardil, cujo único objetivo é dissimular práticas ilícitas e tolher o exercício da liberdade dos brasileiros de informar e serem informados.

[b]Fonte: A Tarde[/b]