Dezenas de pessoas compareceram neste domingo à igreja que no sábado foi alvo de um ataque suicida no Egito.

Entre os presentes, muitos choravam e alguns lamentavam que os ataques a cristãos no país acontecessem durante ocasiões felizes, como o Natal e o Ano Novo. “Passamos todas as festas com tristeza”, disse Sohair Fawzy. Ela perdeu duas irmãs e um sobrinho no ataque de sábado, que ocorreu do lado de fora do prédio e deixou quase cem pessoas feridas, além de 21 mortos.

O Ministério do Interior do Egito atribuiu o atentado a “elementos estrangeiros”. O governo de Alexandria acusou a Al-Qaeda, mais especificamente a ramificação da organização no Iraque, que atacou cristãos naquele país. As autoridades egípcias insistem que a organização não tem presença significativa na região e nunca foi ligada de forma conclusiva a ameaças à segurança do Egito.

A Al-Qaeda do Iraque fez uma série de ameaças a cristãos recentemente. A última delas, pouco antes do Natal, levou a comunidade cristã do Iraque a cancelar a maior parte das comemorações relacionadas à data. Em outubro, a organização atacou uma igreja em Bagdá em outubro e matou 68 pessoas, justificando posteriormente o atentado com o fato de duas mulheres egípcias cristãs supostamente terem se convertido ao islamismo para conseguirem se divorciar – algo que é proibido pela Igreja Ortodoxa Cóptica. Essas mulheres, desde então, foram isoladas pela Igreja, o que levou muçulmanos a acusarem a instituição de aprisioná-las e forçá-las a renunciar ao Islã.

No Egito, os cristãos, compostos essencialmente por Cóptos Ortodoxos, correspondem a aproximadamente 10% da população. Em novembro, centenas de cristãos protestaram nas ruas da capital do país, Cairo, contra a discriminação religiosa após a polícia ter interrompido de forma violenta a construção de uma igreja. Duas pessoas foram mortas durante a manifestação.

[b]Fonte: Estadão
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