No último dia 8, as professoras cristãs Rebekka Zakaria, Eti Pangesti e Ratna Bangun foram libertadas da prisão de Indramaiyu, em Java Ocidental, e imediatamente se reuniram a suas famílias. Elas foram presas em maio de 2005, falsamente acusadas de converter crianças muçulmanas ao cristianismo através de seu programa de escola dominical chamado “Domingo Feliz”.

Elas foram sentenciadas a 3 anos de prisão no dia 1º de setembro de 2005, condenadas por violar a Lei Nacional de Proteção à Criança, em vigor desde de 2002. Durante o julgamento, os extremistas islâmicos fizeram ameaças de morte às três mulheres, tanto dentro como fora da corte.

Embora a suprema corte em Jacarta tenha negado o último apelo das três cristãs em 7 de fevereiro de 2006, o termo de prisão acabou encurtado por um pedido de liberdade condicional depois de cumpridos dois terços da pena.

As mulheres da Igreja Cristã Campo de Davi começaram o programa Domingo Feliz com músicas cristãs, jogos e estudos bíblicos para crianças, sob a direção da pastora Rebekka. Depois de 18 meses, 40 crianças freqüentavam o programa popular, mas apenas 10 vinham de lares cristãos. As crianças muçulmanas freqüentavam as aulas com o pleno consentimento de seus pais.

Entretanto, a oposição ao programa Domingo Feliz resultou no fechamento forçado da igreja, em dezembro de 2004. As três mulheres continuaram a ensinar as crianças na casa de Eti.

Testemunhas poderosas

Durante o tempo em que estiveram presas, as mulheres permaneceram como poderosas testemunhas da fé cristã. Elas transformaram a prisão lavando os banheiros, limpando as celas, trabalhando no jardim e chegaram a pintar de azul e amarelo as paredes da sala que usavam para os cultos. Na ala em que elas estavam, as brigas se reduziram e, por causa da calma influência de Rebekka, Ratna e Eti, os guardas ignoraram o protocolo da prisão e permitiram que cada mulher tivesse seus próprios talheres (faca e colher) em suas celas.

O caso dessas mulheres suscitou preocupação internacional entre a comunidade cristã, resultando em campanhas de cartas e vigílias de oração por todo o mundo.

Lições aprendidas na prisão

Em novembro de 2006, Rebekka afirmou: “Espero que quando eu estiver livre, minha vida tenha sido transformada – e que a vida de outras pessoas tenha sido transformada também. Considero os tempos bons e maus como dádivas de Jesus. Também sou grata porque há muitas pessoas que oram por nós e nos apóiam. Deus seja louvado!”

E concluiu: “As pessoas que estão presas normalmente são esquecidas. Mas esse não é o nosso caso. Cristãos de todo o mundo foram usados por Deus para nos fortalecer de muitas maneiras. E eu estou muito, muito grata a Deus por isso”.

Ratna Bangun acrescentou: “A prisão é uma escola para a fé. Aqui é onde eu luto por minha fé, de modo que posso ser parte do plano de Deus. Não é por acaso que estou aqui, nesta prisão”.

Em uma visita de apoio que recebeu em setembro de 2006, Rebekka se lembrou de sua reação quando entrou na prisão pela primeira vez. “Eu chorei. Pensei no que aconteceria com minha família, porque eu era responsável pelo sustento da casa”.

Ratna disse que estar na prisão foi chocante no começo. “Deus me lembra que seu plano é um plano de esperança. Eu acredito em sua Palavra, mesmo que tivesse que passar três anos na prisão, longe da minha família. Eu ainda confio em Deus e Ele é bom. Eu louvo a Deus por sua Palavra. Ela me cura e me liberta de todos os medos e ansiedades.”

Reação ao apelo negado

Em fevereiro de 2006, após ouvir o veredicto da suprema corte, Eti expressou seu desapontamento: “O que estávamos fazendo com as crianças não é um crime. Não fizemos coisas erradas com essas crianças, mas ainda assim eles nos acusaram sob a Lei de Proteção à Criança”.

Desde então, Eti aprendeu a louvar a Deus pelo tempo na prisão: “Isso tudo aconteceu porque é plano de Deus que estejamos aqui, não porque somos criminosas. Essa é uma experiência que levaremos por toda vida – vou contar essa história aos meus netos. Oro para que meu tempo aqui e minhas experiências na prisão sejam benção para outros. (…) É normal sofrer por Cristo. A prisão é um aprendizado para os cristãos que amam Jesus”.

Pensando em liberdade, pensando na família

Quando lhe perguntaram qual seria a primeira coisa que faria após a libertação, Rebekka diz: “Quero encontrar minha família. Eu também adoraria viajar. Sinto que, depois disso tudo, posso realizar o sonho de me tornar uma médica missionária”. Rebekka, de 49 anos, é médica de família. Ela e seu marido Lucas têm uma filha e um filho que estão na universidade. Linda é filha adotiva do casal, casada e mãe de um filho.

Ratna, 40, é casada com Sembiring. Eles têm dois filhos. O mais novo tem agora quatro anos. “A primeira coisa que quero é ir para Pekanbaru (Sumatra) encontrar meus filhos, minha família e meu pai. Mais tarde, também pretendo viajar”, diz ela.

“Eu me imagino fazendo muitas coisas pela minha família quando sair da prisão. Como mãe e esposa, deixei minha família por muito tempo. Quero compensar o tempo perdido e fazer as coisas que eu deveria ter feito por eles durante o tempo em que estive presa. Quero servir minha família com o coração e a atitude de gratidão”, disse Eti, 45, que é casada com Sutrisno. Eles têm três filhos: um menino e duas meninas, sendo que a mais nova tem 8 anos.

Agradecimento pelas cartas

A Portas Abertas lançou uma campanha mundial de cartas de encorajamento para as três mulheres em julho de 2005.

“Obrigada pelas cartas de irmãos e irmãs de todo o mundo. Louvo a Deus porque essas cartas não apenas nos trouxeram encorajamento, mas também foram um testemunho vivo para os guardas da prisão. Eles me disseram que os cristãos são muito firmes – permanecem unidos – e passaram a admirar o cristianismo”, contou Eti.

“Também louvo a Deus pelas orações e pelos irmãos que vieram de vários países nos visitar na prisão. Sei que eles são obedientes à Palavra de Deus que diz para visitarmos irmãos e irmãos que estão presos. Obrigada também pela ajuda financeira. Que Deus os abençoe abundantemente”.

Fonte: Portas Abertas