Emmanuel Milingo, um arcebispo católico da África que também é curandeiro, chocou o Vaticano pela primeira vez em 2001, ao se casar na Igreja da Unificação, do reverendo sul-coreano Moon.

Emmanuel Milingo, um arcebispo católico da África que também é curandeiro, escandalizou o Vaticano — mais uma vez.

Milingo chocou o Vaticano pela primeira vez em 2001, ao se casar na Igreja da Unificação, do reverendo sul-coreano Moon, para depois se arrepender e voltar à Igreja Católica. Agora, o novo escândalo foi provocado pelo desaparecimento de Milingo de um convento do sul de Roma.

O arcebispo desapareceu no mês passado. Ele viveu no convento italiano em regime de quase reclusão pelos últimos quatro anos. Milingo só reapareceu na quarta-feira, em Washington.

Colocando-se mais uma vez na posição de renegado da Igreja Católica, Milingo concedeu uma inesperada entrevista coletiva anunciando que sua nova missão era convencer o Vaticano a permitir o casamento de padres.

A Igreja insiste na necessidade do celibato e descartou a possibilidade de permitir que seus clérigos se casem para solucionar o problema da falta de padres em muitas partes do mundo.

Um integrante do Vaticano afirmou que autoridades da Igreja tinham ficado “chocadas” com o novo rompante de Milingo e que medidas disciplinares seriam tomadas em breve. Entre as possíveis sanções, a mais grave seria a excomunhão, que significa um rompimento total com a Igreja.

Em 2001, Milingo, ex-arcebispo de Lusaka, na Zâmbia, surpreendeu o Vaticano ao desaparecer e depois ressurgir em Nova York, onde se casou com Maria Sung, uma coreana de 43 anos escolhida para se unir a ele pelo polêmico líder evangelista Moon. Milingo participou de um casamento comunitário realizado em um hotel de Nova York, vestindo fraque. Ele beijou a mulher, toda de branco, diante das câmeras.

O católico e Sung depois regressaram à Itália separadamente. Milingo afirmou que desejava voltar à Igreja. A mulher deu início a uma greve de fome, concedeu entrevistas deitada em uma cama de hotel e acusou o Vaticano de sequestrar seu marido.

A Igreja Católica, que nunca reconheceu o casamento, ameaçou excomungar Milingo. O papa João Paulo 2o., morto em 2005, mostrou-se clemente e mandou seus assessores tentarem convencê-lo a voltar ao seio da Igreja.

Milingo deixou Sung, regressou ao Vaticano e viajou para a América do Sul, onde ficou recluso durante um ano, para reabilitar-se. Mais tarde, retornou à Itália e passou a morar em um convento localizado perto de Roma.

Um integrante do Vaticano afirmou não esperar que o papa Bento 16 seja tão condescendente com Milingo quanto seu antecessor.

Em um livro publicado quatro anos atrás e chamado “Fished out of the Mud” (tirado da lama), Milingo disse que a igreja de Moon havia realizado uma lavagem cerebral nele. O religioso sempre se negou a revelar se havia consumado seu casamento.

Não está claro se Milingo pretende agora reencontrar Sung nos EUA.

Fonte: Reuters