O arcebispo de Dublin, dom Diarmuid Martin, afirmou nesta quarta-feira que as denúncias que envolveram padres católicos em casos de pedofilia fora um desafio para Igreja Católica.

A declaração foi feita durante uma missa celebrada com as vítimas de abusos e seus familiares.

“Nesta catedral, há homens e mulheres aos quais devemos exprimir nossa enorme gratidão pelo fato de não terem ficado em silêncio”, declarou o arcebispo sobre as vítimas que, apesar da dor, “tiveram a coragem de falar, com coragem e determinação, mesmo frente à incredulidade e à negação”.

As conclusões de investigações de quase uma década, encabeçadas pela comissão Murphy, foram apresentadas em 2009, revelando que instituições administradas pela Igreja Católica da Irlanda teriam sido palco de milhares de abusos sexuais de menores por parte de religiosos entre 1930 e 1990.

O caso voltou à tona no ano passado, quando documentos vazados pelo site WikiLeaks revelaram que o Vaticano teria se negado a cooperar com as apurações da comissão.

Para dom Martin, ninguém “que tenha tido qualquer responsabilidade pelo que aconteceu na Igreja de Jesus Cristo, nesta Arquidiocese, poderá pedir o perdão daqueles que sofreram abuso, sem antes reconhecer a injustiça cometida e sua falha pelo que aconteceu”.

Ele justificou isso lembrando que, “uma vez, me explicaram a diferença entre pedir desculpas e pedir perdão. Posso dar um esbarrão em alguém na rua e pedir desculpas. Mas quando digo desculpas, depende de mim. Porém, quando peço perdão, não depende mais de mim, mas estou nas mãos dos outros”. “Só um outro pode me perdoar e só Deus pode me perdoar”, concluiu.

O sacerdote irlandês prosseguiu falando sobre as vítimas presentes na missa, que, “na dor e na indignação, rejeitaram a Igreja que uma vez amaram, mas paradoxalmente o abandono deles pode ter ajudado a purificar a Igreja, desafiando-a a enfrentar a verdade, a superar a negação, a reconhecer o mal que foi feito e a dor que provocou”, observou.

O arcebispo irlandês ainda exortou os presentes a manterem vivo o valor da verdade. “Faço um apelo para que continuem a falar. Há agora um longo caminho para percorrer sobre a via da honestidade antes de poder merecer de verdade o perdão”, apontou.

[b]Fonte: Folha Online[/b]