O padre Cosmo Francisco do Nascimento, da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, na Estrada dos Remédios, em Afogados, no Recife, deixou a igreja, na madrugada de hoje, com um rastro de fiéis insatisfeitos com sua saída repentina.

Conhecido entre os católicos por promover curas milagrosas através da bênção, o religioso paraibano lotava o templo recifense todas as quartas-feiras e domingos, mas terminou afastado pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, no último fim de semana. Ontem, dezenas de pessoas foram à casa paroquial se despedir do padre, que esteve à frente da Igreja dos Remédios por dez anos.

Ontem, o padre preferiu não entrar em detalhes sobre os motivos de seu afastamento. Ressaltou estar triste com a decisão e com o mal-estar causado entre os fiéis, mas contou que não brigou com o arcebispo, apenas conversou. “Devo obediência ao arcebispo na hierarquia da Igreja. Ele me perguntou se iria comentar o assunto com a imprensa, mas falei para ele que não iria fazer isso”, limitou-se a dizer. Cosmo Francisco pediu a dom José um licenciamento de 15 dias para visitar parentes em Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas durante a conversa teria sido orientado a se afastar por um ano da Paróquia dos Remédios. O afastamento seria para “tratamento médico”, como afirmou a Arquidiocese de Olinda e Recife.

Bênçãos – Católicos que frequentavam as missas do padre Cosmo contaram que as bênçãos de cura durante as missas seriam o principal motivo da decisão de dom José, que não concordava com a prática. “Tinha um irmão doente e nenhum médico descobria qual era a doença. Passou por vários especialistas e nada. Trouxe ele para o padre e logo depois um médico descobriu que ele tinha problemas na tireóide. Ele é a seta, é um anjo de Deus”, contou Ana Lúcia Piro. As celebrações chamavam a atenção, inclusive, de pessoas de outros bairros.

As histórias de milagres se repetem entre os frequentadores da igreja. “Tenho uma irmã que passou 15 anos com problemas de esclerose múltipla, tetraplégica, sem sustentação na coluna eno pescoço. Depois que o padre visitou ela na UTI, minha irmã saiu de lá sustentando a cabeça e o pescoço. Hoje até dirige carro. Além disso, padre Cosmo me fez recuperar a fé em Deus. Isso que estão fazendo com ele é por inveja, é uma injustiça”, desabafou Dora Gurgel. “Ele é um padre excelente. Queremos saber o motivo real do afastamento da paróquia. Ao contrário do que disseram, ele não está doente”, reclamou a professora Sônia Paula da Silva.

Além de promover a bênção milagrosa, o padre também dava água benta aos fiéis para que bebessem durante o tratamento espiritual, pois o líquido ajudaria na cura da doença. Os religiosos fizeram questão de ressaltar que o padre em nenhum momento pedia dinheiro para realizar os atendimentos. “Ele sempre falava que quem fazia tudo aquilo era Deus, ele era apenas um meio”, completou Dora Gurgel.

Despedida – Na igreja com 110 bancos, o padre rezou, no domingo, sua última missa na paróquia. A celebração durou cerca de três horas, o religioso orou a Nossa Senhora dos Remédios e comentou sobre a conversa com dom José. Na opinião de Fátima Rocha, também frequentadora do templo, o padre fez diversas melhorias na igreja ao longo dos últimos dez anos, inclusive com reformas na estrutura. “Além disso, ele também fazia um trabalho assistencial muito bonito na comunidade, como distribuição de sopa, por exemplo”, lamentou. Na Arquidiocese de Olinda e Recife, a informação oficial era de que a saída do padre havia sido combinada entre ele e dom José para que padre Cosmo pudesse se tratar de problemas de saúde. Quem celebrará as missas temporariamente na Paróquia dos Remédios será o padre Gilvan Galindo.

Fonte: Diário de Pernambuco