O cardeal Arcebispo Metropolitano de São Paulo disse que Igreja ‘confiou no trabalho’ dos que fundaram a ONG Ceat.

O cardeal Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, disse nesta segunda-feira, 16, que “não podemos aceitar qualquer forma de corrupção ou desvio na gestão dos bens públicos”, ao se referir às denúncias que envolvem o Ministério do Trabalho e a ONG Centro de Atendimento ao Trabalhador (Ceat).

Em nota da Arquidiocese de São Paulo, o religioso se disse surpreso com as denúncias de irregularidades e afirmou que tem todo o interesse em ver plenamente esclarecidas tais acusações.”A Igreja Católica confiou no trabalho daqueles que haviam ajudado a fundar o CEAT.”

Os gestores da ONG Ceat estão sob investigação da Polícia Federal por desvio de R$ 18 milhões de um convênio com a pasta do Trabalho. A PF identificou lobby da organização criminosa sobre o ministro Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência da República.

Interceptações telefônicas da Operação Pronto Emprego, da PF, identificaram os movimentos do padre Lício de Araújo Vale, diretor de Relações Institucionais da ONG, e a presidente, Jorgette Maria Oliveira.

Eles buscaram apoio e incentivo de Carvalho para obtenção de aditamentos ao convênio com o ministério.

Gilberto Carvalho admitiu que “recomendou” a ONG aos ex-ministros Carlos Lupi e Brizola Neto, por sugestão de cardeais das Arquidioceses de São Paulo e do Rio.

O secretário geral da Presidência diz que acolheu recomendações de Dom Cláudio Hummes e Dom Odilo Scherer, além de Dom Orani Tempesta, cardeal do Rio de Janeiro. “Esse é o típico caso em que a gente deu apoio confiando muito na posição da Igreja. O Ceat sempre foi o orgulho da Igreja. Não estou dizendo que há algum culpado, mas agimos baseados nas recomendações de dom Cláudio, dom Odilo Scherer e de dom Orani. Quem sempre reforçou a referência sobre padre Lício foram eles.”

[b]Idôneo[/b]

Dom Odilo pondera que o Ceat surgiu “de uma iniciativa da Arquidiocese de São Paulo, em dezembro de 2002, como um instrumento idôneo para enfrentar o desafio do desemprego na cidade de São Paulo”. À época, a ONG chamava-se Centro Arquidiocesano do Trabalhador.

“Enquanto organização civil (o Ceat) contribuía para a colocação de homens e mulheres no mercado de trabalho”, atesta Dom Odilo. “O então Centro Arquidiocesano do Trabalhador, em seu surgimento, tinha como referência primeira o Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que à época de sua fundação era o Cardeal Dom Cláudio Hummes. Tal iniciativa da Arquidiocese de São Paulo rendeu premiações nacionais e internacionais de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido enquanto Ceat.”

O cardeal destaca que “o Ceat, no entanto, almejando o necessário crescimento como organização civil, desvinculou-se da Arquidiocese de São Paulo e, por consequente, transformou-se em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), passando a ter personalidade jurídica independente e gestões administrativa e financeira próprias”.

“A Igreja Católica manteve com o Ceat, daí por diante, apenas um vínculo de apoio, em razão da história de sua fundação e do trabalho efetivamente desenvolvido nas suas diversas unidades, em São Paulo e no Rio de Janeiro”, destaca Dom Odilo. “A Igreja Católica confiou no trabalho daqueles que haviam ajudado a fundar o Ceat.”

“Não podemos aceitar qualquer forma de corrupção ou desvio na gestão dos bens públicos”, prega Dom Odilo. “E que, respeitada a presunção de inocência e o direito à defesa, os eventuais responsáveis por ilícitos, envolvendo o Ceat, respondam perante a lei por suas ações.”

[b]Fonte: Estadão[/b]