O arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela, pronunciou-se nesta sexta-feira(31) a respeito do resultado do julgamento no Supremo Tribunal Federal(STF), que liberou as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias.

Para o arcebispo, não compete a Igreja Católica condenar ninguém, mas médicos, cientistas e até mesmo católicos que são a favor das pesquisas, segundo ele, estão assumindo uma ação de desrespeito a vida. Dom Luiz chegou a comparar a decisão do STF como uma espécie de novo Nazismo.

“O Nazismo – política da ditadura que governou a Alemanha de 1933 a 1945 – era legal, mas era imoral. Nós ficamos horrorizados com o Nazismo, mas era legal para as pessoas naquele tempo. É imoral e nós vamos continuar anunciando a vida desde a sua primeira etapa. Não é possível que a humanidade continue pensando que é justo matar alguém para salvar o outro”, declarou o arcebispo.

Dom Luiz Mancilha Vilela, disse que não tem medo da Igreja Católica ser taxada de retrógrada e conservadora, porque defende a vida. Sentado em uma cadeira com encosto e acento de couro, na Sala Episcopal da Cúria Arquidiocesana, o arcebispo ressaltou que os doentes que acreditam na cura por meio das pesquisas foram enganados.

“Essas pessoas foram iludidas, foi uma verdadeira chantagem levar até lá esses irmãos nossos para fazer pressão. Porque ainda não há nada comprovado, segundo os cientistas, portanto não é agora que eles irão receber alguma ajuda. E outra, a partir da fé, eles têm uma possibilidade de serem úteis sendo como são”, afirmou Dom Luiz.

O arcebispo disse não estar contrário a Ciência, porque a Igreja defende a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente. Mas as pesquisas com as embrionárias, do ponto de vista moral é um crime. “A conivência, quem tem responsabilidade na decisão pela vida e decide contra a vida, aí essa pessoa tem que responder por isso. Se a Justiça humana não é capaz de ser justa, a Justiça divida responderá por isso”, reagiu.

Sobre a possibilidade de perder fiéis, Dom Luiz é enfático. “Os fiéis egoístas são capazes de não querer caminhar conosco, mas aqueles que amam verdadeiramente a vida e o próximo vão caminhar. Não há meio ilícito que justifique um fim. Se para ter um bom resultado tiver que matar alguém jamais a Igreja estará de acordo”.

A Conferência nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também já pronunciou contrária a decisão do STF.

Fonte: Gazeta Online