O arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, alertou os candidatos – em entrevista ao Portal WSCOM Online – sobre o limite da ética ao usar o nome de Deus nos comícios e no corpo a corpo com eleitores. Ele falou também que é contra o voto nulo e em branco, apesar de entender que é um direito dos eleitores.

Para Dom Aldo, é permitido que os políticos digam ‘se Deus quiser’, ‘Deus seja louvado’, ‘se for eleito, com a graça de Deus’ e “não compete a Igreja proibir e dizer: você não pode nem falar em religião, no seu discurso”, orienta.

Segundo o religioso, todos usam, no bom sentido da palavra, o nome de Deus. “Não se pode impedir isso, é direito de todos, não é monopólio da igreja católica ou de qualquer outra igreja”, explica.

O arcebispo entende que assim como os párocos comentam em seus sermões sobre política, desde que não ataquem nem politizem o sermão, os políticos também não incorrem em erro ao comentar passagens bíblicas.

“Qualquer candidato, católico ou evangélico, está no seu direito de comentar por exemplo Mateus 25”, disse, lembrando uma passagem onde Cristo fala em dar de comer e de beber aos que necessitam.

O sacerdote dá a entender, assim, que os candidatos podem justificar suas ações utilizando, por exemplo, esse capítulo para defender os programas assistencialistas. “Isso se tolera, mas a gente percebe que muitas vezes é forçar uma interpretação”, argumenta.

Assim sendo, segundo Dom Aldo, a bíblia, o nome de Deus e de Cristo podem ser usados pelos candidatos religiosos, sem quem seja feito das propostas e dos candidatos uma cruzada religiosa ou messiânica.

Voto nulo

“Sou absolutamente contra o voto nulo ou o voto em branco, se por um lado é um direito do cidadão, por outro lado é praticamente castrar a possibilidade de pessoas que tenham gabarito”, afirma.

Dom Aldo acredita que existem candidatos com competência e honestidade e é preciso dar uma chance a eles.

“É preciso valorizar tantos candidatos que se apresentam probos, honestos e competentes. Os candidatos devem proporcionar uma aliança, um pacto e junção de forças para que dentro de determinados limites é possível uma Paraíba melhor”, conclui.

Fonte: WSCOM Online