Num duro editorial, o arcebispo emérito de Los Teques, Dom Ramón Ovídio Pérez Morales, uma das figuras mais respeitadas da Igreja na Venezuela, denuncia o rumo tomado pelo atual governo, “uma marcha em direção do totalitarismo”.

Dom Pérez Morales recorda a definição de totalitarismo feita por João Paulo II: “Destrói a liberdade fundamental do homem e viola seus direitos. Manipulando a opinião pública com o martelar incessante da propaganda, facilmente leva a ceder ao recurso à violência e às armas, e acaba aniquilando o sentido de responsabilidade do ser humano.”

“Isso foi o que aconteceu na Europa” _ argumenta o prelado venezuelano. “Ficou fácil para os líderes, conduzir as “massas” ao conflito bélico. Criaram mitos, estabeleceram a perseguição religiosa e a discriminação política, o controle legal e policial das liberdades, bem como o condicionamento psicológico através do monopólico da comunicação. A energia moral ficou debilitada.”

“O suposto apoio popular e vitórias eleitorais para justificar atuações _ adverte o arcebispo no editorial _ deve ser objeto de discernimento. Hitler, por exemplo, pôde se ufanar disso. E a legalidade foi colocada a serviço da “nova ordem”. Por isso. “legal” não equivale a “legítimo” e/ou “moral”. Além do mais, essas esmagadoras maiorias eleitorais são uma característica dos sistemas totalitários já estabelecidos.”

O arcebispo recorda que João Paulo II identificou a raiz do totalitarismo “na negação da dignidade transcendente da pessoa humana, imagem visível de Deus invisível e, precisamente por isso, sujeito natural de direitos que ninguém pode violar: nem o indivíduo, nem o grupo, nem a classe social, nem a nação ou o Estado”.

Finalmente, Dom Ovídio Pérez Morales adverte: “Toda concepção totalitária se choca, inevitavelmente, com o Cristianismo, que coloca o absoluto e adorável em Deus. E como Messias somente Jesus Cristo. E se choca contra toda concepção genuína de humanidade, que tem como centro e referência fundamental a pessoa, e não o Estado, a “revolução”, o “partido” ou o “chefe”.

Fonte: Rádio Vaticano