“Os cristãos do Iraque estão morrendo, a Igreja está desaparecendo diante da contínua perseguição, ameaças e violência são praticadas e os extremistas não nos dão escolha: convertam-se ou se exilem”, afirmou o bispo caldeu de Kirkuk, Louis Sako, ao AsiaNews em 23 de abril.

Os cristãos iraquianos, que vêm desde os tempos relatados no início do Antigo Testamento, estão vendo sua congregação definhar e as igrejas estão fechando. Carros-bomba tornaram-se comuns, bem como seqüestros na área dos curdos, que até então era vista como uma zona de relativa paz.

No dia 22 de abril, um grupo de fundamentalistas executou 23 membros da seita Yazidi na estrada que liga Mosul a Ba’ashika, uma vila majoritariamente cristã. No dia seguinte um carro-bomba explodiu perto de uma escola em outra vila cristã, Tell-el-skop, matando nove pessoas e ferindo outras 60. As freiras de um convento dominicano que fica nas proximidades sofreram os maiores danos.

O arcebispo Louis Sako assinou uma declaração denunciando um grupo de militantes armados que ameaçou os cristãos, em Bagdá. Eles exigiram “que os cristãos se convertam imediatamente ao Islã ou transferiram suas propriedades e saiam do país”.

“O mesmo aconteceu em Mosul, mas com uma ‘escolha’ diferente: pagar um tributo à jihad [guerra santa] se quiser evitar a morte”, contou o arcebispo. “Não podemos mais ficar calados, temos que lembrar ao mundo da importância da presença cristã no Iraque, para o bem do Iraque”, disse Louis Sako, pelo telefone.

“Os cristãos são um dos povos iraquianos mais antigos… Todo mundo testemunhou a lealdade, honestidade, sabedoria e o desejo de viver em paz com outros vizinhos. Há tempos os cristãos convivem com muçulmanos, sejam eles sunitas ou xiitas, em respeito mútuo, partilhando juntos os bons e maus dias. Eles fazem parte da cultura islâmica desde os últimos 14 séculos, geralmente sem qualquer problema. Hoje nós queremos manter essa existência num espírito de amor e com base na Carta Universal de Direitos Humanos”, disse o arcebispo.

Segundo ele, “é estranho que nos dias de hoje os cristãos e algumas outras religiões de certas áreas e cidades do Iraque sofram com expulsões, estupros, seqüestros, pagamento de resgates, chantagem, danos e mortes”.

“Este comportamento pouco familiar contradiz o Iraque, a moral humanitária e islâmica. Vamos deixar todos perceberem que a retirada e o esvaziamento de cristãos do Iraque será desastroso, não apenas para os cristãos como para todos os iraquianos! Forçar os cristãos a deixarem suas casas revela como o conceito de convivência está se deteriorando. Além disso, destrói a cultura e o mosaico civil e religioso, do qual o Iraque era considerado o berço”.

Fonte: Portas Abertas