Poucos dias depois da partida de Bento 16 de Aparecida, no Estado de São Paulo, em maio, acontecerá um seminário em uma cidade ao lado, que irá reunir conhecidos nomes da Teologia da Libertação, vertente da qual o papa foi forte opositor quando ainda era cardeal.

O evento será realizado pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNBL), entre 18 e 20 de maio, em Pindamonhangaba, cerca de 20 km de Aparecida.

O teólogo peruano Gustavo Gutierrez, considerado um dos pais do movimento e cujo livro “Teologia da Libertação: Perspectivas” foi condenado pelo Vaticano nos anos 1970, será uma das vozes mais fortes no seminário.

Bento 16 estará em Aparecida até dia 13 para a abertura da 5a Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, onde é esperado para dar as diretrizes da Igreja na região para os próximos anos.

Dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida, teve cautela ao falar nesta segunda-feira do evento que correrá paralelo à conferência, mas afirmou que será bem-vindo se tiver como intuito somar às discussões dos bispos.

“Agora, se tiver um sentido de oposição, de contestação, evidentemente que não é bem-vindo”, disse o arcebispo, ao receber jornalistas no Seminário Bom Jesus, recém-reformado para receber o papa.

“Nós só podemos entender a Igreja em comunhão, dos fiéis em comunhão com seus pastores, seus bispos, e os bispos em comunhão com a cabeça do colégio episcopal, que é o papa”, disse. “Portanto, não existe Igreja paralela, que exerça suas funções independentes, como se fosse algo à parte.”

Gutierrez falará no mesmo dia que o padre chileno Pablo Richard e o brasileiro Agenor Brighenti, personalidades da Teologia da Libertação. O evento abordará o tema “América Latina, Cristianismo e Igreja no século 21”, e o número de participantes é limitado a 200 pessoas.

Bento 16 fará sua primeira viagem à América Latina desde que assumiu o comando da Igreja Católica. Ele chega na cidade de São Paulo em 9 de maio.

A Teologia da Libertação ganhou muita força na região nos anos 1960 e 1970, principalmente com a ênfase dada pela Igreja à opção pelos pobres. O excesso de politização e a maneira doutrinária, no entanto, passaram a ser condenadas pelo Vaticano.

Em março deste ano, o Vaticano puniu o jesuíta espanhol Jon Sobrino, expoente da Teologia da Libertação e que vive em El Salvador, devido a seus livros, passando a ser o primeiro teólogo a ser “silenciado” durante o papado de Bento 16.

Fonte: Reuters