A arquidiocese de Miami propôs hoje que crianças haitianas que ficaram órfãs no terremoto de terça-feira (12) sejam adotadas por famílias americanas. A Igreja Católica utilizaria o mesmo sistema usado durante a operação Pedro Pan, que levou mais de 14 mil crianças de Cuba para os EUA entre 1960 e 1962.

Randolph McGrorty, diretor-executivo dos Serviços Legais Católicos (CLS, na sigla em inglês) da arquidiocese, informou que esta entrou em em contato com o governo americano para sugerir o programa de adoção, a partir do qual as crianças haitianas entrariam no país com vistos humanitários.

“Devido à magnitude do ocorrido no Haiti, é uma prioridade trazer estas crianças órfãs aos EUA”, disse McGrorty, em entrevista no escritório do congressista cubano-americano Mario Díaz-Balart.

O objetivo, disse McGrorty, é dar um futuro às crianças haitianas que perderam seus pais no terremoto, no qual podem ter morrido de 45 mil a 50 mil pessoas, conforme Víctor Jackson, um dos diretores da Cruz Vermelha no Haiti. Um dos primeiros passos para viabilizar este ambicioso projeto é localizar abrigos temporários para acolher as crianças. Um deles estaria no condado de Broward, no norte de Miami, segundo o religioso.

O terremoto de 7 graus aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 km de Porto Príncipe, a capital do país.

Ontem, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de “centenas de milhares” de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, a Minustah, morreram em consequência do terremoto. A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

Fonte: Folha Online