Segundo o presidente da ONG Leigos para o Desenvolvimento, à qual pertencia a missionária portuguesa assassinada junto com um padre brasileiro na madrugada desta segunda-feira em Moçambique, o crime ocorreu em uma casa que abrigava religiosos da Companhia de Jesus e missionários da organização não-governamental.

Idalina Gomes, de 30 anos, era natural de Aguiar da Beira (distrito português da Guarda) e trabalhava na Missão Fonte Boa, no distrito de Angónia, província de Tete, centro de Moçambique, onde apoiava um projeto na área agrícola. Atuava no país africano junto com outros dois voluntários da ONG.

“O assalto ocorreu no primeiro andar da casa, onde estão os jesuítas. Eles (voluntários) se mantiveram na parte de baixo, onde residem. Mas uma das duas portas da casa começou a ser arrombada e eles saíram pela outra”, relatou Hilário David, responsável pela Leigos para o Desenvolvimento, de cunho católico.

A missionária assassinada “foi a primeira a sair e deve ter ido no sentido contrário em relação aos outros dois, porque perderam-na de vista”.

“Estes refugiaram-se no internato masculino e quando espreitaram só viram o corpo (de Idalina) no chão”, afirmou David, acrescentando que se supõe que a portuguesa “foi morta por estrangulamento”.

“Era a primeira vez que (Idalina) participava de uma missão. Os serviços na Leigos para o Desenvolvimento são de um ano e ela tinha pedido para renovar por mais um, o que foi aceito”, concluiu o líder da ONG, que confirmou a morte do padre brasileiro e ainda que um religioso moçambicano ficou ferido no assalto.

A Leigos para o Desenvolvimento está acertando os últimos detalhes para o traslado do corpo da missionária “o mais rápido possível”, e afirma contar “com todo o apoio da Embaixada de Portugal na capital Maputo”.

“O corpo já saiu do local da missão e já foi para Tete (capital da província de mesmo nome)”, completou David.

O responsável disse ainda que a “situação está sendo avaliada”, mas que é provável que os outros missionários tenham de “regressar” a Portugal.

De acordo com o presidente da ONG, um dos missionários já teria manifestado desejo de sair de Moçambique.

“Esta é a sétima missão que temos no terreno, e já dura desde 1993. Nunca aconteceu nada de grave. Com esta dimensão foi a primeira vez”, afirmou.

A Missão Fonte Boa está a cargo da Companhia de Jesus e tinha o apoio de três missionários leigos que desenvolviam projetos nas áreas de educação e agricultura.

No próximo ano estava prevista a construção de uma brinquedoteca e de um lar para órfãos com Aids.

Antecedente brasileiro

Em fevereiro de 2004, uma religiosa brasileira da Igreja Evangélica de Confissão Luterana foi assassinada em sua residência em Moçambique, tendo a polícia suspeitado de que o crime tenha sido premeditado, por não haver sinais de arrombamento.

Em 2001, a missionária tinha enviado uma carta à direção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil revelando que recebera ameaças de morte, relacionadas com suposto tráfico de órgãos de crianças, na província de Nampula.

Fonte: Lusa