Ronnie Lee Gardner, americano de 49 anos, foi condenado à morte depois de matar um advogado durante um tiroteio em 1985, quando tentava fugir de um tribunal.

Os procedimentos legais duraram quase 25 anos, mas quando foi finalmente condenado à morte, segundo as leis do Estado de Utah, foi perguntado a Gardner se preferia morrer com injecção letal ou fuzilamento. O condenado optou pela segunda hipótese.

O Estado de Utah era até há pouco tempo o único que contemplava a possibilidade de fuzilamento. A hipótese foi abolida recentemente, mas como a condenação de Gardner precede essa lei, a opção por fuzilamento manteve-se possível.

Quando questionado sobre o facto de ter escolhido a via do fuzilamento, Ronnie Lee Gardner declarou que a opção baseou-se na sua “herança mórmon”. Os mórmones, como são conhecidos os membros da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, compõem 60% da população do Utah e têm tido uma influência significativa na vida social e política do Estado. Como termo de comparação, note-se que os católicos são apenas 6%.

Entre as suas crenças, os mórmones professavam a necessidade da “expiação pelo sangue”, ou seja, que haverá pecados que são tão graves que é necessário derramar o sangue do culpado para poder haver perdão. Daí a opção do norte-americano de 49 anos.

Questionados sobre o assunto, os actuais dirigentes da Igreja negam que essa seja uma crença oficial em vigor, mas a noção continua a ser popular, sobretudo entre mórmones mais conservadores, e tem raízes nas palavras do fundador Brigham Young. “Há pecadores que, se se conhecessem e soubessem a única forma pela qual poderiam alcançar perdão, pediriam aos seus irmãos para lhes derramarem o sangue, que o fumo deste ascendesse a Deus como uma oferenda para apaziguar a fúria que arde contra eles”, terá dito Brigham Young numa homilia, em 1856.

Terá sido por causa da noção de “expiação pelo sangue”, e por pressão dos mórmones, que se manteve no código penal de Utah a possibilidade de fuzilamento e de decapitação, que apenas foi eliminada em 1888. A execução de Gardner está marcada para 18 de Junho, embora o seu advogado garanta que ainda vai recorrer.

Fonte: Renascença