Deus recebeu autorização da Assembléia Legislativa de São Paulo para virar disciplina na rede pública estadual de ensino fundamental. Foi aprovada lei que institui o projeto “Deus na escola”, de autoria da deputada estadual Maria Lúcia Amary, líder do PSDB na Assembléia.

O texto aprovado não especifica se “Deus na escola” será matéria opcional a mais na grade curricular ou conteúdo espalhado na grade curricular, tratado em várias matérias. Nem define o conceito de Deus.

Diz apenas que “será composto um grupo de estudos formado por professores, pedagogos, estudiosos e representantes de diversas religiões para, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa, elaborarem um manual do projeto “Deus na escola”, homogêneo a todas as crenças religiosas”. Hoje, o ensino religioso é facultativo nas escolas de ensino fundamental do Estado.

Para entrar em vigor, o projeto precisa da sanção do governador José Serra (PSDB).

O secretário da Casa Civil do tucano, Aloysio Nunes Ferreira, disse que o texto não foi discutido com o governo e, portanto, não sabe do que se trata.
Porém, destacou ser “preciso tomar muito cuidado com os princípios de laicidade do Estado previstos na Constituição do país” e que isso deverá ser levado em conta na avaliação.

Em Sorocaba, em 1997, no governo do marido de Maria Lúcia, o hoje deputado federal Renato Amary (PSDB), o “Deus na escola” foi instituído. A cartilha usada em salas de aulas se propunha “a auxiliar o professor do ensino fundamental que, voluntariamente, se dispuser a ministrar aulas de religião, interdisciplinariamente”.

A autora diz ter confiança de que o projeto será sancionado. “Queremos construir o caráter das crianças por meio de Deus”, diz a deputada, católica.

Fonte: Folha de São Paulo