Um levantamento do Ministério da Justiça, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), revela um fenômeno curioso nas polícias e bombeiros pernambucanos. A presença de padres e pastores nas corporações é benéfica para a saúde mental dos militares.

Trata-se de uma assistência religiosa disseminada nas delegacias e quartéis que vem trazendo resultados surpreendentes no comportamento da tropa. Segundo a pesquisa, a presença de padres e pastores nas corporações é considerada benéfica para a saúde mental dos policiais e bombeiros. Apesar disso, movimentos espirituais ainda são pouco freqüente no resto do país, segundo o mesmo documento.

As conclusões do estudo feito em 19 estados devem ser divulgadas no final deste mês pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. O objetivo é reunir dados sobre a existência e funcionamento de programas em prol da saúde e qualidade de vida dos profissionais de segurança pública.

A assistência religiosa é desenvolvida pelas capelanias das polícias Civil, Militar e doCorpo de Bombeiros. Todas as primeiras e últimas quintas-feiras do mês, por exemplo, a equipe da Delegacia de Repressão ao Roubo tem encontro com o pastor, e comissário, Daniel Ramalho, que tem 19 anos de serviço e desde 2005 está na capelania, a primeira formada dentro da Polícia Civil brasileira. Pastor da Igreja Batista, Ramalho faz questão de ressaltar que as reuniões têm um cunho ecumênico, onde todas as religiões são respeitadas.

Companheirismo

“Costumamos chamar para os encontros as associações comunitárias, as escolas e isso promove uma interação maior com a sociedade, que às vezes evita até passar pela calçada de uma delegacia. Com isso, percebo a mudança no comportamento dos policiais, pois eles tratam melhor as pessoas se sabem que são reconhecidos como ferramenta de segurança, resgatam a auto-estima. As investigações e o combate ao mal continuam, mas o segredo é ter o estímulo espiritual”, destacou. Ramalho contou que presta até mesmo assistência aos casais. “Muitos se separavam porque não entendiam o horário de trabalho do outro”, explicou. Para o delegado Sérgio Moura, a equipe está mais companheira e agora vê o outro como alguém que vive dificuldades pessoais parecidas. As mudanças também atingiram os presos, que são tratados dentro da ótica dos direitos humanos, garante Moura.

No Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar a história se repete, com uma diferença. Nessas duas corporações há também a figura dos padres, que são ligados à Arquidiocese Militar do Brasil. No CB e na PM, o padre e o pastor não são militares, mas vinculados às corporações através de um contrato de prestação de serviço. Além de programar as celebrações, eles também atendem aos militares que pedem algum tipo de proteção espiritual ou que buscam fazer desabafos.

História

O doutor em história e licenciado em teologia Severino Vicente da Silva, do Departamento de História da UFPE, explica que a relação entre religião e polícia é antiga. “Desde a segunda década do século 20, a Igreja pressionava para os soldados católicos terem assistência religiosa. Na Campanha de Canudos, por exemplo, dois padres franciscanos acompanharam os soldados para ouvir confissões ou abençoar na hora da morte. Mais tarde foi a vez dos pastores protestantes. Em Roma, os bispos dos exércitos locais são tratados como capitães”.

Na opinião do especialista, a presença de um padre ou pastor entre as tropas passa tranquilidade. “Nem sempre a polícia tem à disposição psicólogos ou psiquiatras. Muitos carecem de um suporte que os apoiem. Além disso, o trabalho religioso induz à concórdia. É claro que a religião também pode levar à revolução, mas quase sempre resulta na conservação da ordem”, ressalta.

Equoterapia

Outro programa desenvolvido em Pernambuco que chamou a atenção da equipe do Ministério da Justiça é o de equoterapia, que tem o objetivo de reabilitar crianças, jovens e adultos com deficiências e necessidades especiais utilizando o cavalo no processo de interação. De acordo com o tenente Gustavo Farias, o tempo máximo de tratamento é de um ano, podendo ser prorrogado por mais um.

Fonte: Diário de Pernambuco