Um pastor e uma mãe-de-santo na mesma novela. A combinação poderia ser explosiva, mas, em´Duas caras´, novela exibida pela Rede Globo, os personagens vividos com maestria por Ricardo Blat (pastor Lisboa) e Chica Xavier (Mãe Setembrina) rezam a mesma cartilha: fazer bem ao próximo.

Longe das novelas desde ´O fim do mundo´, de Dias Gomes (1996), Blat ficou tão empolgado com o convite do diretor Wolf Maya que começou a freqüentar cultos para conhecer o universo do seu personagem. Para ele, não importa se a pessoa é budista ou evangélica, o importante é ter fé. Chica acha que Aguinaldo Silva, autor da trama, vem derrubando preconceitos em relação às duas crenças.

´Ninguém é superior, temos um Deus só. E o pastor e a Setembrina sabem disso´, diz Chica,que, mãe-de-santo na vida real, explica com uma voz doce por que acende velas para ossantos. ´Quando falta energia, a gente não procura um toco de vela? Então, quando o ser humano precisa de força, deve acender uma vela para iluminar seus caminhos´, complementa.

Em Sepetiba, onde mora (´Apesar da praia ter virado um lamaçal´), a atriz, de 75 anos, também gosta de usar roupas brancas e de colher ervas do seu quintal para fazer chás. ´O chá da folha de colônia é o meu calmante´, conta Chica, que também viveu uma mãe-de-santo na minissérie ´Tenda dos Milagres´, baseada na obra homônima de Jorge Amado e exibida na Globo em 1985.

Mortes

Durante a invasão da Portelinha por traficantes, esta semana, Setembrina terá um infarto e morrerá. Mas Chica não vai se despedir de ´Duas caras´: continuará guiando Andréia Bijou (Débora Nascimento), que sonha em ser madrinha da bateria, mas foi destinada pelos orixás a substituir Mãe Bina no terreiro.

A invasão da favela também provocará uma tragédia na vida do pastor Lisboa: ele perderá a filha, Rebeca (Paola Crosara), que será baleada. Mas Aguinaldo Silva diz que a fé do pastor não ficará abalada . ´Ele acha que Deus está sempre testando a sua fé´, diz Aguinaldo, que faz questão de frisar que no seu folhetim não há uma Igreja Católica. E polemiza: ´E sabe por quê? Porque não há igrejas católicas nas favelas. O que eu acho um furo terrível. Na América Latina, a Igreja se tornou mais um partido político do que uma religião´.

De volta

Blat, que tinha feito sua última aparição na TV no ´Sítio do Picapau Amarelo´, após atuar também em ´Hoje é dia de Maria´, não sabe dizer por que ficou tanto tempo longe das novelas. ´Nunca me programei, nem pensei vou fazer isso ou aquilo´, diz ele, que fez sua estréia em novelas na primeira versão de ´A viagem´, em 1975, na Tupi. Além de ´Duas caras´, no momento, o ator está envolvido na preparação do elenco do filme ´174´, de Bruno Barreto (sem data de lançamento prevista).

Tarefa que ele cumpriu também na minissérie ´A Pedra do Reino´. ´Eu me sinto como um afinador de uma orquestra. O Luiz Fernando (Carvalho, diretor) é o maestro´, compara. Blat se diz empolgado com a chance de interpretar um homem de fé. Aos 56 anos, já foi à Índia ´atrás da sua espiritualidade´: ´Sou curioso em relação à questão da fé e da paz que se pode encontrar seguindo uma crença. Quando rezo, peço que as minhas atitudes expandam luz´.

Fonte: Diário do Nordeste

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