Busca por jovens deve ser prioridade de d. Damasceno, novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O novo presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e arcebispo de Aparecida (SP), cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, 74, terá como um dos principais desafios à frente da instituição a busca por novos fiéis, principalmente entre jovens e idosos.

A avaliação é de bispos ouvidos pela Folha durante a 49ª Assembleia Geral da CNBB em Aparecida. O evento, que começou na última quarta-feira, vai até sexta.

Para os bispos, a Igreja precisa encontrar uma nova forma de diálogo com os jovens, porque eles se interessam cada vez menos por religião, e com os idosos, cada vez mais numerosos no país.

“Ainda estamos titubeando diante dessa nova realidade. Nem o Estado nem a Igreja encontraram formas para esse diálogo”, afirma o bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo.

O cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, relata que o papa Bento 16 tem incentivado o uso da internet como instrumento para a evangelização.

“Há 20 anos, nem estávamos na mídia. Hoje já há uma mudança, uma busca para tentar encontrar soluções pastorais para manter a presença em grandes cidades.”

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, concorda com a busca de novas formas de transmissão da mensagem católica, mas diz que não é necessário “modernizar” o conteúdo.

“A gente não pode fazer concessões para atrair [fiéis], seria uma falsidade. A gente precisa explicar bem para mostrar a beleza que é a mensagem”, afirmou.

Os bispos também citam como desafio a manutenção da importância da igreja para pessoas que ascenderam socialmente nos últimos anos.

[b]ELEIÇÃO[/b]

Dom Raymundo Damasceno Assis foi eleito presidente da CNBB anteontem com 71% dos votos válidos.

Ele era considerado, por bispos e religiosos, um dos favoritos para assumir a presidência da CNBB por causa de seu perfil conciliador, da proximidade com o papa Bento 16 e do diálogo fácil com o governo.

Nascido em Capela Nova (MG), ele se tornou arcebispo de Aparecida (SP) em 2004, quase 50 anos depois de entrar para o seminário. Foi secretário-geral da CNBB por dois mandatos consecutivos, entre 1995 e 2003.

Em outubro passado, foi nomeado cardeal -o Brasil tem nove cardeais, sendo sete eméritos. Em seguida, se tornou presidente da Celam (Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe), função que deve deixar ao assumir o novo cargo.

Em sua gestão à frente da CNBB, terá a companhia do arcebispo de São Luís, dom José Belisário da Silva, na vice-presidência, e de Leonardo Steiner, bispo da prelazia de São Félix do Araguaia (MT), na secretaria-geral.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]