De acordo com a placa, os clérigos são impedidos de entrar na floresta com crianças.

Um austríaco que é dono de terras que ficam em um bosque no sul do país decidiu colocar placas de aviso contra padres pedófilos, avisando que sacerdotes não podem entrar em sua propriedade acompanhados de crianças.

Sepp Rothwangl, 60, –que afirma ter sido vítima de abusos na infância– diz que a medida é uma tentativa de impedir a ocorrência de tais crimes por parte de religiosos. Segundo ele, o ato é um “protesto como simples cidadão”, já que a Igreja Católica parece ser incapaz de expulsar tais padres da instituição.

“Área de Proteção a Crianças”, diz o aviso que ele colocou na entrada de seus 160 hectares de terras na província de Styria. “Violações serão denunciadas. Somos forçados a tomar essa medida em defesa dos interesses das crianças”.

De acordo com a placa, os clérigos são impedidos de entrar na floresta com crianças, a não ser que estejam na companhia de pais ou outros adultos responsáveis.

O aviso está causando polêmica porque fica no trajeto para uma basílica do século 16 que atrai milhares de peregrinos católicos todos os anos.

A TV austríaca tem mostrado a placa nos principais jornais, e causado debate no país de 8,4 milhões de habitantes. A história também já repercute na Alemanha e na França.

Georg Plank, porta-voz da arquidiocese de Graz, capital da Styria, diz que a placa é um “ato bizarro que visa atrair atenção”. No entanto, ele diz que a igreja pretende ignorar a medida, sem entrar com medidas legais ou qualquer outro tipo de ação.

“Isso me lembra uma placa que foi colocada na época do nazismo, que dizia que judeus eram proibidos de entrar na floresta da Alemanha”, diz Gerhard Gross, chefe do partido político BZO, que detém 16 dos 186 assentos do Parlamento.

Gross acusa Rothwangl de espalhar uma “guerra religiosa contra o cristianismo” e entrou com pedido judicial contra ele por “incitar o ódio à igreja”.

No entanto, o dono das terras rejeita as acusações.

“Eu me recuso a ser comparado com os nazistas. Apenas quis chamar a atenção para esse problema”, diz.

[b]Fonte: Folha Online[/b]