O monsenhor Agostino Marchetto, secretário do Conselho Pontifício para os Migrantes, lamentou a violência ocorrida em Rosarno, sul da Itália, onde imigrantes, italianos que vivem no local e policiais entraram em conflito.

O religioso pediu o fim das hostilidades e criticou a falta de ações anteriores que pudessem evitar que a situação chegasse a tal ponto. Para ele, a onda de violência deriva da “situação desumana” em que vivem os imigrantes.

Os confrontos tiveram início ainda na noite de quinta-feira, 7, quando duas pessoas ficaram feridas depois que homens não identificados atiraram com uma arma de ar comprimido contra um grupo de estrangeiros, a maior parte africanos.

Em Rosarno, que fica na região da Calábria, milhares de africanos trabalham em colheitas, submetidos a longas jornadas de trabalho e condições precárias.

A violência desencadeada na região, disse Marchetto, “deve ser enfrentada com um senso de responsabilidade por ambas as partes”.

Segundo ele, trata-se de um quadro complexo, “no qual as relações entre a população local e os povos que estão aqui para trabalhar não é fácil, principalmente devido às diferenças de mentalidade e maneiras de sentir”.

Nestas circunstâncias, prosseguiu, “pedimos o fim da violência a todos, e em segundo lugar fazemos um chamado às autoridades para que intervenham a fim de retomar o diálogo, pois o desejo de todos é viver em paz”.

Já o responsável por Migrações da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Bruno Schettino, disse à ANSA que o episódio de Rosarno representa “um sinal de sofrimento e degradação humana que, por um lado, nos leva a condenar a violência e, por outro, a considerar a extrema dificuldade desta gente que não tem nem suporte humano nem econômico”.

Por sua vez, o pároco de Rosarno, Carmelo Ascone, recordou que os imigrantes vivem em condições “desumanas e desesperadas”. “Os habitantes [de Rosarno] protestam justamente, mas a exasperação e a raiva não podem se transformar em intolerância”, advertiu.

Após o ataque de anteontem à noite, um grupo de africanos saiu às ruas, depredou automóveis e quebrou vitrines de lojas.

Hoje pela manhã, os imigrantes se dirigiram à sede do governo local para protestar contra o ataque, que pode ter ocorrido por motivação étnica, e pleitear melhores condições de vida.

Italianos que vivem no local, por outro lado, organizaram-se para cobrar medidas de combate à imigração e conter as manifestações dos africanos.

Sete pessoas foram presas. Segundo fontes locais, 18 policiais ficaram feridos, além de 14 imigrantes e a mesma quantidade de italianos. No entanto, o governador da Calábria, Luigi Varrata, confirmou que são 37 feridos, entre eles 19 imigrantes e 18 policiais.

Diante da situação, o governo decidiu enviar reforço policial a Rosarno, onde a situação continua tensa. Entre os feridos, dois imigrantes estão em estado grave após terem sido agredidos com barras de metal. Outros dois foram baleados, mas não correm perigo.

Fonte: Ansa