A presidente socialista do Chile, Michelle Bachelet, enfrentou nesta sexta-feira, a três dias de completar seis meses no poder, seu primeiro conflito com a cúpula da Igreja Católica chilena, que comparou seu governo a um regime totalitário por distribuir a “pílula do dia seguinte” a adolescentes com mais de 14 anos.

A Igreja expôs sua posição através de uma declaração pública da Conferência Episcopal, divulgada na quinta-feira e considerada a mensagem mais dura dos bispos chilenos desde a volta da democracia ao país, em 1990.

A declaração destaca que a norma anunciada esta semana para distribuir a “pílula do dia seguinte” a adolescentes maiores de 14 anos, de forma gratuita e sem a autorização dos pais, “lembra políticas públicas fixadas em regimes totalitários que pretendiam regular do Estado a vida íntima das pessoas”.

A medida, acrescentou o comunicado, facilita fórmulas que promovem “realidades deploráveis no campo da sexualidade” e incentiva a prática do aborto.

Após a dura declaração da Igreja, o governo de Bachelet voltou a defender a distribuição do anticoncepcional de emergência como forma de universalizar seu acesso para conter a gravidez indesejada.

Em resposta ao comunicado dos bispos, Bachelet disse que o Chile é um país democrático, onde seu governo não impõe crenças.

“Para nós, neste país, custou extraordinariamente conquistar a democracia”, disse a presidente, em alusão indireta aos 33 anos do golpe militar que instalou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), data comemorada na segunda-feira.

“Como presidente, eu vou fazer o que devo fazer, eu não imponho crenças, opiniões, mas ofereço, como corresponde a qualquer Estado, opções para um Chile diverso, para um Chile distinto”, acrescentou Bachelet em declarações à imprensa em Antofagasta, 1.200 km ao norte de Santiago.

“E o importante em um regime democrático é que ninguém imponha suas crenças e valores aos outros. Em um regime democrático se oferecem alternativas e opções para o Chile real, para todos”, concluiu.

Fonte: AFP