Um motorista de ônibus do Gaza Awana Club morreu instantaneamente no domingo, 28 de janeiro, por estar na linha de fogo entre os militantes do Fatah e do Hamas, que disputam o controle de Gaza.

Wasfi Khardish, 20 anos, andava pela rua, a poucos metros de seu pai, quando foi atingido por uma bala perdida no peito, informou o pastor da Igreja Batista de Gaza, Hanna Massad.

Khardish, um muçulmano, foi mais uma vítima inocente da onda de violência que tem tomado conta da fronteira de Israel e Egito.

Enquanto o Fatah e o Hamas declararam um cessar-fogo no dia 29 de janeiro, pondo fim a quatro dias de luta, a morte de um militante do Hamas poucas horas depois ameaçou o rompimento do acordo.

O pastor Hanna fez uma visita pastoral ao pai de Khardish, que disse estar profundamente triste. Cristãos e, na maioria muçulmanos, têm sido vítimas inocentes comuns da guerra em Gaza e dos ciclos de retaliação. “Eles estão temerosos e confusos”, disse Hanna Massad. “A principal preocupação deles é com a segurança”, ressaltou.

Na noite da morte de Khadish, líderes da igreja, Patricia e Wa´el Hashua, ao lado da filha de três anos, Sarah, vivenciaram uma situação um pouco parecida. Uma bala perdida entrou pela janela do apartamento onde moram e por cima de suas cabeças destruiu a mesa da sala, relatou o líder da Igreja Batista de Gaza, Khader Khoury.

”É perigoso para qualquer um”

Gaza não possui locais seguros. Explosões ameaçam a região, habitada por cerca de 1,5 milhões de pessoas. Destas pouco menos de 2.500 são cristãs e só algumas são evangélicas.

“É muito perigoso para qualquer um”, disse Khoury. A fachada da Igreja Batista de Gaza também foi alvo de disparos em novembro. “Nós só estamos salvos por Deus. Não temos nada para nos proteger. Nada e ninguém pode nos ajudar”, disse.

A violência tem forçado muitos a fugirem de Gaza para outros lugares. “Quando as pessoas podem, elas fogem”, disse o pastor Hanna. A maioria, contudo, é muito pobre, não possui parentes ou amigos em países seguros que possam ajudá-los a emigrar.

Os cristãos, ao contrário, têm geralmente uma condição econômica melhor do que os vizinhos muçulmanos e freqüentemente têm a oportunidade de sair. “Acredito que as pessoas deixarão Gaza porque não se sentem seguras”, disse Khoury. Segundo ele, até mesmo seus próprios pais já cogitam sair da região de conflito.

A extensão da disputa e as barreiras impostas por Israel a Gaza adiou por três meses o casamento de sua irmã Rana Khoury, uma abençoada evangelista e discípula, com um evangélico que vive em Londres. O noivo de Rana chegará a Gaza no dia 5 de fevereiro, “pela fé”, para o casamento que será no dia 16 de fevereiro. A entrada e saída de Gaza deverá ser difícil.

Apesar disso, Khoury não cogita deixar a região. “Não vou sair. Eu amo Gaza. Sou um intercessor de Gaza. Vamos ficar. Esta terra é nossa’, disse.

A Missão Portas Abertas participa de muitos projetos para abençoar Gaza, ajudando crianças traumatizadas pelo ódio e a violência que testemunham diariamente em suas vidas. Além disso, a missão patrocina o curso de extensão do Colégio Bíblico de Belém em Gaza. Esse curso forma estudantes de Gaza para o ministério. Todos eles são impedidos de viajar além das fronteiras de Gaza, policiadas por militares israelenses.

Na Igreja Batista de Gaza, há quatro horas diárias de oração pelo cessar da violência na região. “Oramos todas as manhãs e visitamos os lares daqueles cristãos que têm medo de se arriscar no trajeto à igreja”, contou Khoury.

O pastor pede oração pela proteção dos crentes de Gaza. “Ore para que Deus traga novos trabalhadores para este campo, porque a seara é grande”, disse ele. “Ore para que Deus interrompa esse espírito de guerra e traga sua atmosfera a Gaza”.

Os evangelistas têm dito que Deus sustenta Gaza e que Ele prevalecerá. “Deus é bom e nós estamos em suas mãos”, disse Hanna Massad. “Ele é nosso Pai e vai cuidar de nós. Eu seu que é difícil, mas Ele está no comando”.

Fonte: Portas Abertas