O papa Bento XVI terá hoje um encontro com representantes do islamismo, do judaísmo e de denominações cristãs, marcado para as 12h30, no Mosteiro de São Bento. Como o número de presentes é muito limitado, o problema é fazer com que os preteridos não entendam o filtro como agravo à sua instituição.

São persistentes os obstáculos ao ecumenismo – a convergência das inúmeras correntes cristãs – e ao diálogo inter-religioso. Por divergências teológicas seculares, muitas lideranças simplesmente se negam a conversar. Mas às vezes o problema pode ser gente demais querendo dar as mãos.

A Igreja Católica receia que esse seja o caso do encontro que o papa Bento XVI terá hoje com representantes do islamismo, do judaísmo e de denominações cristãs, marcado para as 12h30, no Mosteiro de São Bento. Como o número de presentes é muito limitado, agora o problema é fazer com que os preteridos não entendam o filtro como agravo à sua instituição.

“Queremos reafirmar a estima pelas outras confissões”, diz o padre Marcial Maçaneiro, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o Diálogo Ecumênico e Inter-religioso.

A CNBB adotou três critérios para fazer os convites. A idéia, segundo padre Marcial, era privilegiar organizações eclesiásticas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), entidade ecumênica que atua há 25 anos.

Por esse critério, verão o papa Walter Altmann, pastor-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e dirigente do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), d. Maurício Andrade, bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana, reverendo Manoel Miranda, da Igreja Presbiteriana Unida, e Antônio Bonzoi, da Igreja Cristã Reformada.

Também foi chamado d. Damaskinos Mansour, arcebispo metropolitano da Igreja Ortodoxa Antioquina – que não é do Conic, mas cujo Patriarcado tem bom diálogo com a Santa Sé.

O rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), e o xeque Armando Hussein Saleh, representante dos muçulmanos, são considerados pela CNBB “interlocutores históricos”. O pastor luterano Carlos Möller também vai, na condição de presidente do Conic.

Ao Estado, todos confirmaram presença.

Sobel, detido por furto de gravatas em 23 de março em Palm Beach, na Flórida, e afastado da CIP seis dias depois, a seu pedido, informou anteontem que já não está mais licenciado. Há pouco mais de um mês ele declarou ao Estado que vai aproveitar o encontro com o papa para “pedir perdão ao Deus de Abraão, Isaac e Jacó”.

O encontro deve durar 30 minutos. Não está prevista troca formal de presentes nem discursos. O papa simplesmente vai ler uma saudação em português. “É pena que tenhamos a oportunidade, mas não tenhamos tempo para discutir temas de interesse comum”, lamenta Möller.

Fonte: Estadão