Roger Vangheluwe, que abusou de sobrinho por 13 anos, nega ser pedófilo e diz na TV que jamais usou de violência.

O bispo belga Roger Vangheluwe, protagonista de um dos maiores escândalos de pedofilia da Igreja Católica, admitiu ontem que abusou sexualmente de um segundo sobrinho. Em entrevista à TV belga que chocou os telespectadores do país, ele afirmou, no entanto, que não se considera um pedófilo e não tem planos de abandonar o sacerdócio.

Vangheluwe, que está com 74 anos, renunciou há um ano ao comando da diocese de Bruges, na Bélgica, depois de ter admitido ter abusado sexualmente de um sobrinho durante 13 anos. O outro sobrinho teria sofrido assédio por cerca de um ano, revelou ontem. O Vaticano ainda não definiu uma posição sobre o caso.

Em sua primeira aparição pública desde a renúncia, o ex-bispo concedeu uma entrevista ao canal de televisão belga VT4, onde contou detalhes sobre os abusos cometidos contra os dois sobrinhos. O religioso chamou os 13 anos em que abusou de um dos sobrinhos de “um pouco de intimidade” e disse que as relações com o segundo sobrinho duraram um curto período.

“Eu tinha a forte impressão que o meu sobrinho não se importava. Pelo contrário”, disse Vangheluwe, se referindo ao caso mais longo de abuso. “Não era um sexo brutal. Eu nunca usei de violência física ou psicológica”, afirmou.

O ex-bispo de Bruges afirmou ainda que o envolvimento com os sobrinhos começou “como em qualquer família”. “Começou como um jogo com os meninos. Quando vinham me visitar, eles dormiam comigo.”

O Vaticano tenta endurecer suas regras em relação à pedofilia. Ordenou tratamento psicológico ao bispo “para obter mais elementos para seu diagnóstico” e tomar uma decisão final sobre o caso. Até lá, Vanghueluwe está proibido de exercer qualquer atividade eclesiástica.

[b]Fonte: Estadão[/b]