A onda de seqüestros virtuais já chegou ao alto clero da Igreja Católica no Ceará. O bispo da Diocese do Crato, dom Fernando Panico, foi alvo de um golpe por telefone e, por pouco, não foi enganado pelos criminosos, que exigiam dinheiro e cartões telefônicos.

Segundo a Polícia, essa prática criminosa vem se tornando cada vez mais comum na Região do Cariri, no sul do Estado. No ano passado, a Delegacia Regional do Crato registrou dez casos do gênero.

O vigário-geral da Diocese do Crato, monsenhor Dermival de Anchieta Gondim, fornece detalhes sobre a tentativa de golpe ocorrida contra o bispo. Dom Fernando recebeu a ligação no início da manhã de Quarta-Feira de Cinzas, quando retornava de uma viagem no sul da Itália, onde passou o Carnaval com a família.

Do outro lado da linha, um homem perguntou ao bispo se algum parente ou funcionário dele estava viajando no período do Carnaval. Dom Fernando respondeu afirmativamente e revelou que o motorista encontrava-se fora do Estado. Essa foi a deixa para que o criminoso pudesse encenar o golpe. Foi dito ao religioso que o motorista encontrava-se amarrado e havia levado um tiro na perna.

Para que ele pudesse ser libertado e encaminhado a um hospital, o bispo teria de depositar R$ 10 mil em uma conta bancária. Segundo o relato do monsenhor, dom Fernando teria ficado preocupado com a integridade do motorista, mas disse que não possuía todo aquele dinheiro no momento. O criminoso, então, pediu que ele comprasse quatro cartões telefônicos de operadoras de telefonia celular e os entregasse em um local determinado.

A transação só não foi concluída porque um padre amigo de dom Fernando chegou pouco tempo depois e questionou a veracidade da ligação. Para confirmar a versão dos supostos seqüestradores, a família do motorista foi contatada em Teresina (PI). Os parentes disseram que o funcionário estava com eles e não corria risco algum. Passado o susto, o monsenhor afirma que dom Fernando prosseguiu suas atividades normalmente: na tarde de quarta celebrou a Missa de Cinzas e ontem pela manhã deu expediente normal na Cúria.

O escrivão-chefe da Delegacia Regional do Crato, Mário Gomes, informou que a Polícia Civil aguarda uma notificação do crime por parte da vítima para que possa abrir um inquérito criminal. Mesmo sem uma comunicação oficial, o delegado Jurandi Costa deu início às investigações no sentido de identificar o local de origem da ligação, bem como os autores do golpe.

Mário Gomes revelou que um advogado foi uma das vítimas mais recentes do golpe no município. Sob ameaça, ele teria depositado R$ 5 mil na conta dos criminosos. Parte desse valor (R$ 600), segundo o policial, foi sacado em uma agência bancária de São Paulo.

Fonte: Jornal O Povo