Educação sexual é tarefa da família e não de uma trupe de teatro, diz bispo de Fulda. Ele conclamou os católicos a boicotar musical financiado pelo governo federal, destinado a crianças a partir de três anos de idade.

O bispo católico da diocese de Fulda (centro da Alemanha), Heinz Josef Algermissen, conclamou a população a boicotar um musical de educação sexual do Centro Federal de Educação para a Saúde (Bundeszentrale für gesundheitliche Aufklärung – BZgA).

“Na opinião da Igreja, a educação sexual tem seu lugar original no lar e não pode ser tarefa de um a trupe de teatro”, declarou Algermissen, antes da apresentação da peça Nase, Bauch und Pó (Nariz, barriga e bumbum) para 550 crianças, em Fulda, um dos mais tradicionais redutos católicos da Alemanha.

O diretor da área de educação sexual da BZgA, Eckhard Schroll, disse que vários jardins-de-infância católicos seguiram a recomendação do bispo. Cerca de 20% das crianças que haviam confirmado presença não teriam sido levadas para assistir à peça.

Em nota à imprensa, Algermissen disse que o musical propaga uma “orientação unilateral de sexualidade reduzida a experiências corporais. Pais que colocam seus filhos em nossos jardins-de-infância podem estar certos de que esse tipo de educação sexual como brincadeira de criança não é objeto de trabalho pedagógico com os pequenos”.

A BZgA rebateu as críticas. O musical não trata a sexualidade como experiência meramente corporal, disse Schroll. Ele disse que a crítica do bispo é “inédita e única”. A peça está em cartaz na Alemanha há quatro anos. Até agora não teria ocorrido qualquer protesto de jardins-de-infância católicos ou luteranos.

O Partido Verde em Hessen atacou o bispo. “Tudo indica que o monsenhor Algermissen ainda não chegou ao presente”, diz a presidente do diretório estadual da legenda, Kordula Schulz-Asche.

Nariz, barriga e bumbum é uma espécie de conto de fada, em que a BZgA tenta despertar a atenção de crianças a partir de três anos para o tema da sexualidade. A instituição fornece também um pacote de material informativo sobre o assunto para os pais e educadores. “Por isso, incitar um boicote é algo completamente incompreensível”, disse Schroll.

Fonte: DW World