Antes da visita do papa Bento 16 neste sábado à Fazenda Esperança, no município de Guaratinguetá, em São Paulo, um homem que se dizia bispo foi retirado do local por não portar credenciais ao evento.

Cerca de duas horas antes de o pontífice chegar à Fazenda, a polícia civil de São Paulo – que fazia a segurança do evento em conjunto com a Polícia Federal e com as Forças Armadas – recebeu a denúncia de que um “falso bispo” estaria entre os cerca de seis mil convidados.

Com base na descrição física, a polícia localizou o homem, que portava documentos no nome de Estevam Evaristo.

O homem – alto, magro, aparentando 50 anos – tinha um convite para a visita do papa, mas não possuía credencial, que era obrigatória aos participantes do evento.

Ele alegou à polícia ter sido convidado pela Diocese de Taubaté, em São Paulo, mas bispos que ajudaram a polícia a investigar o caso disseram que as pessoas citadas por ele na Diocese não existiam.

Alguns bispos chegaram a sugerir que a polícia permitisse o acesso do homem à área onde o papa falou aos convidados, já que ele havia sido revistado e aparentemente não ameaçava a segurança do evento, mas as equipes de segurança preferiram retirar o homem da Fazenda.

“É difícil saber de onde ele veio ou se ele era bispo mesmo. O que os bispos nos falaram é que qualquer um pode participar de um grupo religioso e se dizer bispo ou líder desse grupo”, disse à BBC o delegado seccional da Polícia Civil de Guaratinguetá, José Antonio de Paiva Gonçalves.

Furos na segurança

Apesar do forte esquema de segurança para proteger Bento 16 no Brasil, com mais de 7,3 mil agentes trabalhando nos cinco dias de visita, algumas pessoas conseguiram furar o bloqueio e ter acesso direto ao pontífice.

Na sexta-feira à noite, na chegada de helicóptero em Aparecida, uma repórter do jornal Estado de São Paulo conseguiu apertar a mão de Bento 16.

Pela manhã, após a missa de canonização do Frei Galvão, no Campo de Marte, duas pessoas conseguiram se aproximar do pontífice, driblando o esquema de segurança.

O bispo Irineu Roque Scherer, de Garanhuns, que acompanhava a comitiva do papa no evento, conta que um homem que passou pelos agentes de segurança chegou perto do papa para tirar uma foto. Os agentes taparam a máquina com a mão.

“O papa pediu para os seguranças tirarem a mão da câmera e ainda posou para a foto com um sorriso”, disse Scherer.

Outra pessoa, também do Campo de Marte, chegou próximo do papa e conseguiu cumprimentá-lo, segundo o bispo de Garanhuns.

Fonte: BBC Brasil