A Arábia Saudita deveria garantir mais liberdade e segurança para a minoria cristã do país e permitir a entrada de mais padres, afirmou na segunda-feira o bispo Paul Hinder, responsável pelos católicos na nação de maioria muçulmana.

Na véspera do encontro histórico entre o rei Abdullah e o papa Bento 16, Hinder disse à Reuters esperar que a reunião de terça-feira leve à melhora nas relações diplomáticas entre o Vaticano e o berço do islamismo.

O encontro, o primeiro entre o papa e um monarca saudita, deve se concentrar nas relações do cristianismo com o Islã e na pequena minoria cristã que vive no país.

“Minha expectativa é que haja mais segurança e liberdade para nosso povo de uma forma bem discreta”, disse o bispo da Arábia, que é suíço e que falou à Reuters por telefone na sua base em Abu Dhabi.

“Não estou esperando poder construir uma catedral. Mas pelo menos a liberdade de rezar em segurança”, disse ele. As autoridades do Vaticano costumam questionar por que é proibido construir igrejas na Arábia Saudita se os muçulmanos podem erguer mesquitas na Europa.

Há 1,2 milhão de cristãos na Arábia Saudita, sendo que quase 1 milhão é de católicos. A maioria é imigrante, incluindo uma grande comunidade filipina.

Eles só podem rezar em lugares privados, normalmente residências, e não podem sair em público com sinais de sua fé.

“Quais são os limites? Quantas pessoas se considera uma reunião particular? Não há regras fixas”, disse ele, afirmando que a falta de parâmetros abre a possibilidade de variações na interpretação.

“Depende basicamente da boa vontade das pessoas. Se elas são mais tolerantes –e há muita gente tolerante e compreensiva na Arábia Saudita–, não temos grandes problemas.”

“Mas, se há um linha-dura no comando, não há proteção, e logo se pode ser acusado de fazer uma coisa ilegal, mesmo achando que é legal”, declarou.

Hinder disse que seria “maravilhoso” se as autoridades sauditas permitissem aos cristãos usar salões que não fossem reconhecíveis em seu exterior como lugares de oração, mas onde eles pudessem rezar com liberdade e segurança.

Ele também pediu às autoridades que permitam a entrada no país de mais pessoas ligadas à Igreja para administrar os católicos e “realizar os serviços absolutamente básicos para os maiores grupos nas grandes cidades”. Segundo o Vaticano, há pouquíssimos padres na Arábia Saudita.

Fonte: Reuters