O bispo inglês radicado na Argentina Richard Williamson, que negou a existência do holocausto, foi retirado no domingo à noite da direção do seminário de La Reja, da Fraternidade Sacerdotal Pio X, uma ala conservadora e dissidente da Igreja Católica.

A decisão foi anunciada pelo superior da ordem religiosa na América do Sul, o padre Christian Bouchacourt, que disse que as afirmações de Williamson “não refletem, de forma alguma, a postura da congregação”. Segundo Bouchacourt, bispos católicos só pode falar com autoridade de questões ligadas à fé e à moral.

As primeiras declarações de Williamson negando o holocausto e o uso de câmaras de gás durante a Segunda Guerra foram feitas a uma TV sueca e provocaram críticas internacionais, tanto de governos como de organizações judaicas. Na quarta-feira passada, o papa Bento 16 pediu que o religioso se retratasse.

O bispo no entanto disse à revista alemã Der Spiegel, que chega às bancas nesta semana, que antes de se retratar precisaria rever as provas históricas. “Se encontrar as provas, me corrigirei, mas para isso é preciso tempo”, disse Williamson.

No domingo, Williamson não celebrou a missa.

A Fraternidade Sacerdotal Pio X foi fundada em 1969 pelo bispo francês dissidente Marcel Lefebvre, que discordava das reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II.

Estima-se que o movimento conte com 600 sacerdotes e 400 mil fiéis em todo o mundo. A ala segue a tradição de celebrar as missas em latim.

Excomunhão

As primeiras declarações de Williamson negando o holocausto foram feitas dias antes do anúncio, no mês passado, de que o Papa Bento 16 estava suspendendo sua excomunhão e de outros três bispos desta congregação.

Eles haviam sido excomungados em 1988 por terem sido nomeados bispos por Lefebvre sem a autorização do Vaticano.

As afirmações de Williamson e o anúncio do Papa Bento 16 levaram o governo de Israel a divulgar um comunicado afirmando que a “reincorporação de um bispo que nega (o holocausto) é uma ofensa para todos os judeus, de Israel e do mundo, e uma ofensa à memória das vítimas e sobreviventes do holocausto”.

No comunicado, o governo de Israel diz esperar que o Vaticano se “separe” de todos os que negaram o holocausto e de “Williamson em particular”.

A iniciativa do Papa também gerou críticas de diferentes rabinos e levou a chanceler alemã Angela Merkel a pedir publicamente a Bento 16 que deixe “claro” que “não tolera” a negação do holocausto.

Na quarta-feira passada, o Papa pediu que Williamson se “retratasse”, “de maneira clara e pública” para continuar a atuar como sacerdote da igreja católica.

Fonte: BBC Brasil