A Igreja Católica oficial chinesa convocou uma assembléia dos bispos leais à igreja em Pequim para discutir e preparar uma reação à anunciada mensagem pastoral do papa Bento 16 aos fiéis chineses, informou uma organização noticiosa católica.

A UCA, uma organização noticiosa da Igreja Católica na Ásia, cita um bispo não-identificado de uma diocese do norte da China para afirmar que o encontro dos bispos da igreja não-oficial, clandestina no país, servirá para preparar “a reação à carta do Papa”.

O bispo Liu Jingshan, da diocese de Ningxia (nordeste) também disse à UCA que acredita que o encontro “tem alguma relação com a próxima carta do papa”. Oficialmente, segundo a agência noticiosa católica, o encontro foi divulgado como uma preparação das comemorações dos 50 anos da fundação da Igreja Católica oficial.

A carta do papa, que segundo fontes da igreja católica não-oficial da China já terminou e está agora na fase de tradução, deverá refletir a avaliação feita em janeiro pelo Vaticano das relações com a China e apelar ao fim dos “mal-entendidos” e à normalização das relações com Pequim.

O Vaticano afirmou nesta semana que a pastoral será entregue ao governo chinês antes de ser divulgada aos fiéis.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Qin Gagn, não confirmou a recepção da carta de Bento 16, mas disse que há disposição de Pequim para melhorar as relações com o Vaticano.

“A nossa posição se mantém. Para melhorar e desenvolver as nossas relações com o Vaticano, continuaremos a seguir os dois princípios de base”, disse Qin, durante entrevista coletiva na capital chinesa, fazendo referência às exigências que Pequim continue a nomear os bispos chineses e que o Vaticano corte relações com Taiwan.

O corte de relações com Taiwan é algo que o Vaticano já se mostrou disponível a fazer de imediato, mas a Santa Sé resiste à nomeação pelo governo chinês dos bispos católicos.

Atualmente, cerca de 80% dos bispos da Igreja Católica oficial nomeados na China são aceitos pelo Vaticano, mas Pequim continua a considerar a nomeação dos bispos pela Santa Sé uma ingerência ilegítima nos assuntos internos chineses.

A nomeação de bispos é a principal causa de separação entre as duas Igrejas Católicas existentes na China, a oficial e a clandestina.

A igreja não-oficial conta com cerca de 10 milhões de fiéis, que celebram missas em casas particulares e permanecem fiéis ao papa, sendo muitas vezes de perseguição no país. Já a Católica oficial tem cerca de 4 milhões de fiéis e fica subordinada ao Estado, assim como as outras quatro religiões autorizadas por Pequim: budista, taoísta, islâmica e protestante.

Em 1951, a China cortou relações diplomáticas com o Vaticano, levando a Santa Sé a reconhecer Taiwan, ilha que tem um governo próprio desde 1949 e reclama a independência da China, mas é vista por Pequim como uma província separatista que deve ser reanexada.

Fonte: Lusa