Três bispos da Igreja Renascer em Cristo compareceram à 1ª Delegacia Seccional, na Rua Aurora, no Centro de São Paulo, por volta das 17h10 desta segunda-feira (9) para prestar depoimento sobre o desabamento do teto do templo sede do Cambuci, na Zona Sul, no dia 18 de janeiro. Na ocasião, o acidente resultou na morte de nove pessoas e em mais de 100 feridos.

Os bispos estavam acompanhados do advogado Flávio D’Urso, o único a dar declarações na chegada à delegacia. “O que nós hoje estamos fazendo é trazer os bispos que fazem parte da coordenação da administração da igreja para os esclarecimentos necessários e contribuir com a investigação”, disse.

Segundo o advogado, no grupo está um bispo que estava no local na hora do desabamento e outros que fazem parte da administração e também colaboraram com a contratação da empresa responsável pela troca de todo o telhado do templo. “Hoje creio que o interesse no depoimento destes bispos é no sentido de esclarecer a estrutura de organização e administração da igreja”, disse.

D’Urso negou que a administração da igreja tenha contratado uma empresa de engenharia em situação irregular para fazer a troca das telhas do templo do Cambuci. “Essa informação, de que (o engenheiro responsável) não tem o registro do CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), isto não se confirma”, afirmou. “Na verdade, a igreja buscou empresas no mercado que tivessem engenheiro responsável para que este pudesse orientar como fazer melhor aquela obra.”

Para o advogado, não é possível afirmar no momento se a troca das telhas contribuíram para o acidente. “A princípio, não. Todavia nós aguardamos os resultados dos laudos e esta avaliação técnica é que nos dará uma diretriz do que efetivamente contribuiu para o desabamento”, ressaltou.

Fibrocimento

Na saída da delegacia, por volta das 20h, os bispos mais uma vez se recusaram a dar declarações. D’Urso disse que eles, em seus depoimentos ao delegado Dejar Gomes Neto, titular da 1ª delegacia seccional, ajudaram a esclarecer detalhes do contrato firmado com a empresa Etersul, que fez a troca das telhas do teto que desabou.

Segundo o advogado, o contrato estipulava que as telhas que seriam instaladas deveriam ser de fibrocimento. “Mas só o laudo da perícia que vai dizer se as telhas eram de amianto, como chegou a ser divulgado”, ressaltou. Segundo D’Urso, só feita a troca das telhas na última reforma, segundo relatos dos bispos ao delegado. “Não mexeram entre o forro de gesso e as ‘tesouras'”, disse.

E, por último, a advogado disse que os bispos confirmaram que apenas a tubulação do ar concidcionado ficava instalado na estrutura do telhado. “Os equipamentos de iluminação e de som não ficava no telhado. Estes ficavam em estruturas metálicas fixadas no chão”, disse.

Fonte: G1