Os bispos venezuelanos afirmaram estar preocupados pelas conseqüências no país da crise econômica mundial, a crescente insegurança e seqüestros, e criticaram o uso de “recursos da nação na compra de armamento”.

A posição dos bispos venezuelanos foi divulgada depois de uma assembléia da Conferência Episcopal Venezuelana, através de um comunicado lido pelo arcebispo de Cumaná, Monsenhor Diego Padrón.

Os bispos ressaltaram sua preocupação pela crescente insegurança e seqüestros, instando as autoridades a “garantir os direitos fundamentais dos venezuelanos”.

“A atual crise financeira e econômica mundial cujos efeitos se farão sentir, sem dúvida, na Venezuela, obriga o governo a procurar soluções consertadas com todos os setores da sociedade, que possam contribuir com idéias e propostas valiosas e concretas para diminuir as conseqüências da crise, especialmente sobre as classes mais humildes”, diz o comunicado.

O documento afirma também não se justificar o “enorme” gasto de “recursos da nação na compra de armamento”.

O arcebispo de Cumaná pediu ainda que os venezuelanos participem ativamente das eleições regionais e municipais de 23 de novembro e recordou que, em oiutubro de 2007, alertou para que a “reforma constitucional era moralmente inaceitável” e que ela foi rejeitada em dezembro.

“Vemos como uma falta de respeito pela vontade popular soberana que se imponham muitos das mudanças rejeitadas, mediante a publicação, não consultada e inesperada, de um conjunto de leis com elementos de caráter estatizante, autoritário e centralizador”, disse o bispo.

Segundo a Igreja Católica na Venezuela, “os novos decretos-lei (26 em total, decretados em 31 de julho pelo presidente Hugo Chávez) contêm traços anticonstitucionais, outorgam maior poder ao Executivo nacional para o controlo de numerosas áreas da vida do país, em detrimento das pessoas e instituições e cerceiam muitos direitos políticos e sociais dos cidadãos”.

Fonte:Lusa