O ex-frade franciscano Leonardo Boff, um dos principais fundadores da Teologia da Libertação, disse hoje em Madri que é uma calúnia dizer que a corrente é uma subcategoria do marxismo e reivindicou uma alternativa ao sistema político na região ibero-americana, apostando na opção pelos pobres, além de criticar os pronunciamentos do Papa Bento XVI na sua recente viagem pelo Brasil.

O objetivo da Teologia da Libertação, segundo Boff, é criar outro tipo de sociedade e de democracia para conseguir “uma sociedade participativa e uma democracia social”. Ele defendeu a adoção de “políticas ricas para os pobres e políticas pobres para os ricos”.

O teólogo brasileiro participou de uma conferência sobre “os desafios da América Latina à Igreja e às religiões”, como parte do fórum “Tribuna da Região Ibero-Americana”, um debate organizado pela Agência Efe e pela Casa da América.

Boff afirmou que existem três maneiras de encarar o problema dos pobres: o primeiro é o da caridade cristã e do humanismo; o segundo, dos que entendem que é preciso incorporar todos ao sistema produtivo; e “o de teólogos que entendem que os pobres têm capacidade de produzir uma alternativa ao sistema”.

Ao comentar as advertências do Vaticano ao teólogo jesuíta Jon Sobrinho, Boff afirmou que “Roma utiliza a desunião e a exclusão para resolver problemas, com uma violência simbólica, que não é militar mas é igualmente grave, porque mata realidades concretas”.

Sobre a V Conferência do Episcopado Latino-Americano (Celam), realizada recentemente em Aparecida (SP), e as expectativas em torno da mensagem do Papa, o teólogo disse que esperava que Bento XVI tivesse “os olhos abertos à realidade” e que dissesse “palavras fortes na questão social, porque a chaga principal no Brasil é a da pobreza” e a injustiça na distribuição das riquezas.

“Ele não disse praticamente nada, mas a solução está no manual de Doutrina Social” e nos documentos da Igreja sobre a pastoral social, afirmou. “Não fez nenhuma opção pelos, pobres salvo uma referência cristológica, nem disse nada sobre a Teologia da Libertação”, observou.

Além disso, ressaltou Boff, Bento XVI também não se pronunciou sobre as 80 mil comunidades de base do Brasil, as pastorais da terra, dos indígenas, da saúde, nem a dos meninos de rua.

“Ele chegou com um discurso preparado com ouvidos e olhos europeus, e baseado em dois eixos centrais: a moral sexual e o ataque à modernidade que chama de relativismo”, criticou.

Fonte: Efe