Sete crianças morreram em um bombardeio aéreo contra uma escola religiosa e uma mesquita no sul do Afeganistão, ambas sob suspeita de abrigar combatentes da Al-Qaeda, anunciou a coalizão, enquanto intensos combates no sul causaram dezenas de mortos.

Na província de Oruzgan, onde os combates ocorrem há três dias, um soldado holandês da Otan, dois policiais afegãos e “um número importante de combatentes” morreram, segundo fontes da coalizão, que já soma 88 baixas neste ano.

Afegãos afirmaram que, segundo estimativas locais, 60 civis foram mortos no distrito de Chora no fogo cruzado entre a as forças da ONU e os talibãs. O governo de Cabul não pôde confirmar estes números.

Ouvido pela AFP, John Thomas, porta-voz da Força da Aliança Atrântica (ISAF) no país, considerou “possível” esta afirmação.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos anunciou ter matado dezenas de rebeldes em Helmond, um balanço sem números exatos que não pôde ser comprovado por nenhuma fonte independente.

Já em Paktika, “as forças afegãs e do ISAF efetuaram uma operação no domingo no distrito de Zarghun Shah, que resultou na morte de vários militantes e sete civis, assim como na prisão de dois militantes”, segundo um comunicado da coalizão.

“Segundo um primeiro relatório, sete crianças faleceram durante um ataque aéreo contra uma madrassa”, acrescenta a nota, que também ressalta “danos leves” em uma mesquita adjacente.

Procurada pela AFP, a coalizão se recusou a fazer qualquer precisão sobre os “combatentes da Al-Qaeda”. Um porta-voz, Chris Belcher, os acusou de “ter utilizado a mesquita e os civis inocentes como forma de proteção”.

As forças americanas estão no banco dos réus por vários “erros” ou “danos colaterais” cometidos desde o início do ano e que provocaram as mortes de dezenas de civis no Afeganistão.

Esta operação foi executada depois de um ataque suicida em Cabul contra um ônibus da polícia que deixou 35 mortos, o pior atentado neste país desde a queda do regime fundamentalista dos talibãs no fim de 2001.

Este atentado foi o quinto em três dias no Afeganistão. A onda de ataques deixou 49 mortos, entre civis e policiais, além de um soldado holandês.

A polícia anunciou nesta segunda-feira a prisão de um suspeito que portava documentos que supostamente o relacionavam com os talibãs, grupo que reivindicou o atentado.

Nos quatro primeiros meses do ano, entre 320 e 380 civis faleceram em atos violentos no Afeganistão, cometidos tanto pelos insurgentes como pelas forças internacionais, segundo a missão da ONU em Cabul.

Na semana passada, os ministros da Defesa dos 26 países da Otan se comprometeram em Bruxelas a “minimizar” as perdas de civis afegãos.

“Estamos conscientes de que as perdas civis podem minar nossos esforços em todos os campos, segurança, reconstrução e desenvolvimento”, afirmou uma fonte da Otan que pediu anonimato.

No final de abril quase 50 civis morreram em bombardeios das forças americanas na região oeste do país, segundo as Nações Unidas.

Fonte: AFP