Dois indivíduos de nacionalidade brasileira foram detidos em Lisboa por agentes da PSP do Porto por fortes suspeitas de terem sido os autores de uma burla de que foi vítima uma mulher do Porto que recorreu a serviços de espiritismo.

A vítima chegou a entregar a um dos indivíduos 250 mil euros em dinheiro como “pagamento” pelas supostas práticas de “bruxaria”. Parte da verba (50 mil euros) foi recuperada no passado sábado, aquando das buscas e detenções dos suspeitos. A Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP do Porto investiga, agora, eventuais ligações dos suspeitos a uma rede de burlões com artifícios semelhantes.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, o “serviço” foi prestado à vítima na semana passada. Com problemas e dificuldades na sua vida pessoal, a mulher submeteu-se a “consultas” e “tratamentos” espirituais que terão inclusive envolvido a colocação, no interior de um cofre, de um coelho acompanhado de minhocas.

A senhora acreditou tanto na bondade do “arranjo”, e de pelo menos um dos indivíduos, que chegou ao ponto de pedir dinheiro emprestado a familiares e a um banco. Quantia que atingiu 250 mil euros e foi entregue em notas aos homens, que são irmãos e que lhe prometiam resolver todos os problemas. Só que, quando acordou, já era tarde.

Vendo-se com a verba em mãos, os suspeitos fugiram para Lisboa, cidade ontem também actuariam em práticas idênticas. E foi na capital que a DIC da PSP do Porto os localizou e deteve. No momento da detenção foram recuperados um total de 50 mil euros, em dinheiro.

Quanto à restante quantia – 200 mil euros -, há suspeitas de que pode estar guardada no cofre de um banco. A PSP ainda está a efectuar diligências para descobrir o resto da verba, num inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Ministério Público do Porto, nascido na sequência de uma queixa apresentada pela vítima.

Aquando das buscas e detenções, ainda em Lisboa, um dos indivíduos sentiu-se mal e teve de ser assistido no hospital. Indiciados por burla qualificada, os dois arguidos foram submetidos ontem a interrogatório no Tribunal de Instrução Criminal do Porto. A um deles foi decretada prisão preventiva, por, alegadamente, ter sido o protagonista principal do esquema. Ao outro foi aplicada uma medida de coacção mais branda.

A partir de agora, a investigação partirá para a averiguação de ligações a casos semelhantes que podem ter ocorrido nos últimos meses no Porto e em Lisboa. As autoridades admitem ligações a uma rede e um considerável número de vítimas.

Fonte: Jornal de Notícias – Portugal